terça-feira, 28 de setembro de 2010

Tiradentes, Um Festival!

Amigos e amigas,

o Viver Para Comer acabou despontando, no final de agosto, na cidade de Tiradentes, Minas Gerais. Cidade que é patrimônio histórico nacional, por ser um dos maiores centros históricos de arte barroca. Contudo, a cidade não é grande, de modo que em dois dias qualquer turista já passa a ser profundo conhecedor de todas as ruas, calçadas, monumentos e igrejas do local.


O final de semana que escolhemos para aportar em Tiradentes foi o final de semana de abertura do XIII Festival Gastronômico de Tiradentes. Isso para mim causou uma grande ansiedade: quais seriam as atrações, que seminários eu poderia aproveitar, quais restaurantes locais eu poderia visitar, quais novidades gastronômicas eu conheceria... Estas eram as questões que passavam pela minha cabeça!


Após algumas horas dentro de um carro, chegamos em Tiradentes. Sexta-feira fazia um frio abaixo de 6 graus celsius. Mas o que me assustou e até me decepcionou foram os preços indecentes que o festival estava cobrando para que pudéssemos experimentar o menu de alguns chefs convidados. Para se ter uma ideia, os preços dos menus degustativos iam, sem bebida e nem 10%, de 150 a 330 reais por pessoa. Um verdadeiro assalto! Resultado: não pudemos experimentar nenhuma invencionice dos chefs do festival.

De fato, o festival, para nós, se resumiu ao chope bebido no galpão dedicado as palestras e aos restaurantes locais que modelaram alguns pratos especialmente para o festival.



Mas nem por isso deixamos de aproveitar a cidade e, também, os restaurantes locais. Aliás, bons restaurantes, mas devemos ter em mente que são restaurantes bons sim, mas de uma cidade pequena e não de uma capital. Em outras palavras, são restaurantes pequenos, que necessiatam ser reservados com uma certa antecedência e ter paciência e jogo de cintura. A exemplo do jogo de cintura, posso lembrar da nossa espera no restaurante Trattoria Via Destra...

1) Trattoria Via Destra



O Via Destra fica na rua da Direita, uma espécie da "Dias Ferreira" de Tiradentes, e é muito pequeno. Escutei que o proprietário é um ex alto executivo que trabalhava em uma grande empresa de Belo Horizonte. Resolveu se aventurar no charmoso mundo de proprietário de um restaurante em uma cidade pequena.

Bom, tivemos que esperar por cerca de meia hora antes de entrarmos, pois não havia mesa para todos. E, quando entramos, ficamos em mesas separadas, pois não havia mesa grande para todo o grupo. Momentos depois fomos realocados em uma mesa onde cabiámos nós 6.

Todos os pratos servidos estavam muito bonitos. O meu risoto de funghi porcini estava excelente. Ouvi falar bem do prato preparado especialmente para o festival: filet mignon recheado de queijo, acompanhado de talharim com azeite trufado.

Para acompanhar pedimos um vinho argentino - Norton Malbec. Vinho bom.

Ressalto que, mesmo não tendo desgutado um dos menus fixos (caríssimos) do Festival, os restaurantes que fomos também tinham um preço elevado para a cidade.

2) Tragaluz

O Tragaluz era o restaurante mais aguardado por todos nós (reservamos com quase 1 mês de antecedência). Foi super recomendado. Ao sermos acomodados em nossa mesa, nos deparamos com a bela atriz Carolina Ferraz, que jantava em uma mesa ao lado, muito simpática e sorridente.



O restaurante muito bonito e acolhedor, com sua decoração rústica distoava da energia de um dos garçons, que parecia de mau humor ou não muito preparado para o ofício. Pedimos uma garrafa de vinho português, o Porca de Murça, que, ao prová-lo, percebi que não estava bom. Solicitei ao garçom que o trocasse - apesar da cara feia do rapaz, imediatamente o vinho foi trocado pelo argentino Finca El Origen Malbec 2007.



Pedimos de entrada um patê de Foie Gras (da casa) delicioso, bem temperado, envolto em uma base de fatias de bacon defumado. O melhor da noite na minha opinião!

Todos gostaram de seus pratos, muitos deles com influência da cozinha mineira. O meu também estava regular: pedi um filet au poivre vert. Infelizmente ele veio com sua base esturricada, embora por dentro estava ao ponto. Imagino que o filet tenha sido queimado em sua base no momento em que ele foi selado.



Outro prato que destaco foi o nhoque, feito com Pro Nobis (uma verdura escura típica de MG), com carne assada no molho escuro - bem saboroso e com gosto de comida caseira (ver foto abaixo). De sobremesa, pedimos um doce de leite com sorvete de queijo e lascas de parmesão - estava bem gostoso, apesar da ressalva com relação às lascas de queijo, mistura que não me agradou muito.


Mas, independentemente, foi uma noite agradável!

3) Pousada Três Portas

A maior surpresa de Tiradentes, gastronomicamente falando, foi a pousada Três Portas. Queríamos ter nos hospedados lá, mas devido a lentidão na coordenação entre as viajantes de nosso grupo, quando fomos fechar, não havia mais quartos disponíveis.

Mesmo não nos hospedado lá, soube que a pousada vendia queijos artesanais. Cheguei à Tiradentes pensando nestes queijos. Como o festival gastronômico para nós não existiu, tinha grande expectativas nos queijos artesanais do local.

Bom, chegamos na porta da pousada Três Portas (Isso mesmo, há três portas na pousada!) Tocamos a sineta, em uma das portas, e uma atendente olhou pra fora... Antes que dissesse qualquer coisa eu perguntei se ela possuía queijo pra vender.

Enquanto a atendente da pousada verficava se havia queijos à venda, um sr. que vinha em direção a porta em que eu estava falou: "Ei, o que você está fazendo... Entra, por favor... Te adianto que para vender não tem, mas para degustar tem de montão. Faço questão que você tome um café e prove os meus queijos"!



Esse simpático sr. era o Dr. Paulo, que logo depois explicou que era o pai do proprietário da pousada. Nos falou que todos os queijos já estavam reservados e, embora não tivesse para vendê-lo, ainda havia queijo para degustar!

Ele nos ofereceu dois queijos: 1) queijo tipo parmesão, que ele nos explicou que o real parmesão é curado por mais tempo e 2) queijo tipo Morbier, onde o original é produzido na cidade de mesmo nome. O queijo morbier tem um friso de fungo no meio dele!

Não preciso dizer que além da simpatia do Dr. Paulo, todos os queijos estavam deliciosos. Ele me garantiu que todos os queijos são produzidos de forma artesanal, com leite orgânico (pasto natural e sem químicos estimulantes) obtidos na fazenda de sua propriedade.

Bom, fica a dica, dos queijos e de hospedagem. Falam que o café da manhã da pousada é de se emocionar!


Por último vale ressaltar os diversos bares existentes em Tiradentes. São tantos, que não posso destacar apenas um. Isto é possível checar na in locus.



Outra dica ao viajante é não deixar de visitar a loja do Chico Doceiro - uma verdadeira instituição local. O seu doce de leite caseiro que recheiam biscoitos em forma de cone é um diferencial de Tiradentes. Há também cocadas e outros doces para quem gosta.

Tiradentes, como cidade, me surpreendeu muito. E os seus restaurantes... São de perder os dentes! ;-)


Beijos e Abraços


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Trattoria Via Destra
Rua Direita, 45 - Centro - Tiradentes
Tel.: (32) 3355-1906

Tragaluz
Rua Direita, 52 - Centro - Tiradentes
Tel.: (32) 3355-1424

Pousada Três Portas
Rua Direita, 280 A - Centro - Tiradentes
Tel.: (32) 3355-1444

Chico Doceiro
Rua Francisco Pereira de Moraes, 74 - Centro - Tiradentes
Tel.: (32) 3355-1900

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Brasília

Por Carol

Quem nunca foi a Brasília para uma reunião de trabalho, já pode ter passado na cidade quando ia de férias para a belíssima Chapada dos Veadeiros ou, simplesmente, quando teve interesse em conhecer a capital do país com sua arquitetura moderna... O meu caso não foi nenhum desses, mas nem por isso motivo menos nobre: fui visitar meu querido irmão, que habita a cidade há quase dois anos por ter passado num concurso público!

A vida em Brasília é bastante diferente da vida no Rio ou em São Paulo... quer dizer, acho que lá – os brasilienses podem me corrigir, se eu estiver errada – as pessoas vivem entre casa e trabalho, mas acredito que a vida gastronômica esteja crescendo nos últimos tempos. Inclusive, é um mercado promissor, já que há demanda para isso: pessoas do país inteiro com poder aquisitivo para consumir e sem que a cidade tenha muitos outros atrativos – achei a parte cultural bem fraca também e acho que a construção de um bom teatro seria um empreendimento de sucesso. Bem, impressões à parte, vou falar do que conheci de comida e aprovei por lá...







Destaco o Coco Bambu, um restaurante de frutos do mar do Nordeste que foi parar (que bom!) em Brasília. Pedimos os pastéis (clássicos) de entrada (é quase um almoço!) de queijo coalho e de camarão com um molhinho de ervas. Como principal, por já termos comido pastéis grandes, deu perfeitamente para pedir um prato de camarão ao Thermidor – que é feito com um molho à base de mostarda, champignon e bechamel – para quatro pessoas. Claro que ficou um espacinho para a sobremesa, que, vou dizer, estava divina! Destaco o petit gâteau de doce de leite com sorvete de creme.





Outra dica gastronômica de Brasília é o bistrô francês Daniel Briand Pâtissier & Chocolatier. Muito charmoso, fica num bairro bem parecido com os do Rio, ou seja, não tem tanta cara de cidade planejada como os outros de Brasília. Pedi um croque Monsieur com salada delicioso! Quiches e crepes também foram pedidos e apreciados. A sobremesa é que deixou a desejar... olhando aquela vitrine de doces encantadora, escolhi uma tartelete de limão, mas, sinceramente, acho que não estava fresquinha. Uma pena, mas não fez com que a graça do lugar, à luz de velas, fosse desfeita. Havia macarrons bem bonitos para levar pra casa, mas resisti à tentação! rs







A última dica preciosa é a Hamburgueria Gourmet. Você escolhe dentre os muitos tipos de carne para hambúrguer, queijos e outros adicionais – como cebola ao shoyo –, que você pode acrescentar ao seu sanduíche. As batatas para acompanhar podem ser as fritas clássicas ou as noissetes, que foram a minha pedida (acertada!). Para a sobremesa, pode tomar um sorvete italiano Diletto, vendido na casa – e que também pode ser encontrado no Shopping Iguatemi, que é o must!


Ah, só pra finalizar, adorei dois passeios que meu irmão nos levou: Igreja Dom Bosco (vitrais lindos!) e o Pontão, local à beira do Lago Paranoá com restaurantes simpáticos, muitos com música.

Vale a visita à nossa capital, que, apesar de ser criticada por muitos, tem coisas bem interessantes para fazer e comer! :-)

Boa viagem!

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Coco Bambu
SCES Trecho 02 Conj. 36 - Icone Parque, Brasília, DF. Tel:(61) 3224-5585.

Daniel Briand Pâtissier & Chocolatier
104 Norte, bloco A - loja 26, Asa Norte, Brasília, DF. Tel: (61)3326-1135.

Hamburgueria Gourmet
Shopping Deck Brasil, SHIS QI 11 - loja 33, Brasília, DF. Tel: (61)3248-0386.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A Dialética do Colarinho

Por Gustavo Birenbaum

Chope com colarinho, pra mim, sempre foi uma dessas verdades absolutas que habitam o nosso dia a dia gastronômico. Para mim e para todo mundo de bom gosto que conheço. Realmente, quando a desejada espuma falta por completo, tem-se a impressão de que aquele líquido não merece ser chamado de chope. Um chá gelado de cevada, talvez, ou algo tão insosso quanto isso.



Passeando por Atenas, acabei conhecendo o chope local. Chama-se Alfa, claro. Antes do pedido, lembrei-me de uma crendice segundo a qual onde o vinho é bom a cerveja tende a ser ruim, e vice-versa (alguém conhece uma boa cerveja francesa ou já se aventurou em tomar vinho belga?). Como eu nunca tinha ouvido falar de vinhos gregos (eles não habitam as prateleiras do Zona Sul, fronteira mais distante de todo o meu arsenal enólogo), decidi arriscar minhas papilas gustativas na caneca de 450ml de Alfa. Pelo sim, pelo não, tomei o cuidado de pedir ao garçom para que viesse com colarinho — só que em inglês; em grego, só depois de mais algunas canecas. Imaginei sinceramente que, com minha explicação, o garçom tivesse compreendido que a espuma era uma conditio sine qua non. Minha mulher, mais cética (nessas horas, o desconfiômetro feminino é espantoso), duvidou que o gajo tivesse compreendido a mensagem.

Veio a caneca, com direito a um logo da marca Alfa grafado em grego. Caneca de colecionador. O colarinho, porém, ficou perdido em algum beco de Esparta. Patricia, com ar superior, apenas fitou verticalmente o recipiente, com um olhar enunciativo do famoso “Eu avisei…”. Obviamente o garçom despareceu nos poucos segundos que passaram entre a constatação da total ausência do colarinho (nem aqueles pequenos rastros brancos se viam na vastidão dourada e aquosa) e a manifestação da infalibilidade das premonições femininas. Engraçado foi ver que, à minha volta, pessoas maravilhadas sorviram o mesmo chá gelado de cevada que agora se prostrava na minha frente. (Detalhe sórdido: havia exatos dois dedos sem nada na caneca, certamente para não derramar o líquido no trajeto Extração-Mesa. Mal sabem eles que, até para isso, pode servir o nosso laureado colarinho). Aguardar o garçom voltar e explicar que aquilo não correspondia exatamente ao meu pedido seria inútil e arriscado. Inútil porque nada me garantia que o atendente, agora, entenderia. Arriscado porque, entendendo ou não o meu queixume, sempre existe a chance de um perdigoto ser depositado no produto que repõe aquele antes criticado, pouco importando se a crítica é procedente ou não. (Sim, eu acredito nessas coisas). Sem opção melhor, parti para dentro do Alfa.

Se existe um Deus da cerveja, ou de seus derivados, posso ter perdido alguns pontos com Ele, porque, devo admitir, eu blasfemei aquele líquido. E pus-me a pensar que certas verdades absolutas se esvaziam por completo conforme muda a latitude do observador.

Algum tempo atrás, por exemplo, certos botequins do Rio ofereciam “bolachas” da Brahma que traziam impressas verdadeiras encíclicas sobre a arte do chope em geral e do colarinho em particular: a espessura ideal da espuma, a temperatura adequada para a conservação do líquido, dicas de manutenção da serpentina, os beneficios da cremosidade do produto, noções básicas sobre o lúpulo (esse desconhecido), e por aí vai. Para além de toda essa doutrinação, tenho um grande amigo que reivindica até a autoria de um teste infalível e de facil execução: quebra-se um palito de dente em duas metades (guarde a remanescente para a porrinha); de uma altura de mais ou menos três centimetros deixa-se cair uma dessas metades sobre o creme. Se ela flutuar, touché: seu chope foi “bem tirado”. Se afundar, reprima o responsavel pela extração, sem medo dos perdigotos. Ele haverá de entender (em caso de dúvida, permaneça por perto).

Será que nenhum desses ensinamentos chegou à Grecia? Logo a Grecia, que tantos ensinamentos ministrou a toda a humanidade. Socraticamente, arrisco-me a dizer que determinadas “ciências” não servem para nada quando a sua falta não altera a vida de quem a ignora (meus vizinhos de mesa, por exemplo). Muito abstrato? Nem um pouco. Pense na tecla “Insert”, na qual acabo de esbarrar sem querer e que agora me obriga a reescrever algumas palavras. Qual a serventia da função “Insert”? Alguma ela deve ter — do contrário, não estaria habitando teclados de computador por tanto tempo —, mas confesso que ainda não consegui encontrá-la.

Hoje à noite, para evitar nova rodada de lucubrações inúteis como estas, vou experimentar um tinto da região, que juro nunca ter visto nas gôndolas do Zona Sul.

Beijos e Abraços

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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Alameda Restaurante

Amigos e amigas,

trago uma novidade, ao menos para mim, que é o Alameda Restaurante. Localizado na mesma localização em que ficava o Carême da Flávia Quaresma, naquele centrinho gastronômico de Botafogo. A minha ida ao Alameda teve indicação do Manoel - amigo do blog e super antenado com as novidades gastronômicas no RJ. Ele me falou "Henrique, não deixe de ir ao Alameda... É sensacional."

Depois destas credenciais, tive que ir conferir a veracidade dos fatos.



Como não conheci o Carême, não sei quanto o salão mudou. Mas posso dizer que ele não é muito grande, e há um bar no final do salão. A decoração é austera e, de modo resumido, o ambiente é confortável e convidativo para se beber um vinho. Principalmente, para acompanhar a especialidade do restaurante...

A especialidade do restaurante é... Escargot. Calma!

Bom, sei que... Aqui no Rio não há uma grande tradição de escargots e muita gente não consegue se imaginar comendo aqueles bichinhos... Eu mesmo, até pouco tempo, não pensava que podia comê-los. No entanto, durante uma viagem que fiz a Paris, marquei de encontrar com o meu amigo Bertrand (salut mon ami, je crois que tu arriveras ici dans quelques jours, c'est pas?) e sua esposa, Olympe, em um bistrô localizado no Marché de Saint-Honoré.



Ao sentarmos, ele me perguntou se eu queria um pratinho de escargot. Lhe disse que tinha receio de pedi-los e até mesmo duvidava se teria coragem. Ele replicou e disse em um português carregado de sotaque "Aqui é o melhor lugar para experimentá-los... E, além do mais é um prato vraiment français".

Aceitei o desafio e adorei. Recentemente indiquei a um casal de amigos, que me pediam sugestões do que fazer em Paris, para que não deixassem de provar os escargots parisienses.

E o Alameda? Este se propõe a ser um restaurante de escargot, mas há outras opções no cardápio para aqueles que não aceitam em hipótese alguma a idéia de comê-los.



Primeiramente nos foi servido um couvert bem gostoso, mas podia, na minha opinião, ser um pouco mais farto. Junto com o couvert, pedi uma garrafa pequena (375 ml) de vinho tinto, vinho chileno, Viu Manent, reserva estate collection, Carmenère, safra 2008: excelente! Guardado sobre uma temperatura ideal, é o contraponto perfeito para qualquer pedido um pouco mais, como poderia dizer... pesado.

Pedi de entrada um pratinho com seis escargots à bourguignonne - é o clássico, feito com manteiga, salsa e alho. Posso garantir que não perdia em nada para os escargots franceses. O molho de manteiga, embora gorduroso, é muito saboroso e duvido que alguém não o experimente na própria concha, após ter degustados todos os escargots.



De prato principal pedi um magret de canard ao molho reduzido de jabuticaba, com batatas gratinadas. O magret de canard é o peito do pato, mas vale ressaltar que é um prato também pesado, gorduroso... Servido mal passado, com a carne bem rosácea e com aquela capa de gordura em cima, o clássico francês combinou perfeitamente com a nossa jabuticaba - impressionante!

Bem, devido a minha dieta de doces, parei por aqui... Mas me relataram que o petit gâteau de doce de leite com sorvete de vanila (no cardápio é sorvete de queijo) é sensacional.

Outras comidas bem comentadas foram o filet de tilápia, risoto trufado de cogumelos silvestres e a entrada de polenta com escargot.

É, fica a dica... Mas depois não venha me dizer que trocou a feijoada típica das sextas pelos escargots do Alameda, hein?

Beijos e abraços,

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Alameda Restaurante
Rua Visconde de Caravelas, 114 - Botafogo
Tel.: (21) 2527-9662

sábado, 14 de agosto de 2010

Brasserie Rosário

Amigos e amigas,

Após algumas aventuras gastronômicas fracassadas, tive uma boa experiência em um restaurante que não conhecia, do centro do Rio: o Brasserie Rosário. Localizado na rua do Rosário, próximo do Centro Cultural do Banco do Brasil.


Na verdade a Brasserie Rosário são muitos no mesmo ambiente: uma padaria, uma confeitaria, uma casa de chá e um restaurante. Restaurante com pé direito altíssimo, em cada andar, em que a escada conduz, há uma cozinha, independente, que produz doces, pães, etc. No último andar (mais ou menos no quinto andar) há a cozinha do restaurante propriamente.

O ambiente é bem interessante, sendo que a casa escolhida para abrigar o Brasserie é uma daquelas velhas casas do Centro totalmente reformada. Nos dois primeiros andares estão dispostas as mesas do restaurante. O garçom que nos recepcionou, de forma convidativa, providenciou uma mesa para o nosso grupo (de três pessoas) no terceiro andar - onde está localizada a cozinha da Patissérie do restuarante - já que, devido o restaurante estar cheio, foi totalmente improvisada.


O nosso decano, Mottinha, emocionado com tanta cortesia pediu uma entrada que consistia em patê Campagne, manteiga, diversos pães (de azeitona, de curry, etc), pasta de gorgonzola e presunto cru. Para acompanhar esta entrada Mottinha ainda pediu uma garrafa de vinho tinto - que na sua opinião é um vinho casual, nada especial - mas que todos gostaram muito: Morandé Pionera, Cabernet Sauvignon, diretamente do Chile.

"Henrique, não vai comentar no blog sobre esse vinho, pois ele não tem nada de especial". Tarde demais Mottinha... Como todos nós bebemos e ficamos satisfeitos, não há por que não comentar.


Verdade verdadeira é que se parássemos o almoço pela entrada já estava mais do que suficiente. Vieram muitos pães e tudo estava muito bom.

No entanto, como a gula é na maioria das vezes um dos pecados mais irresistíveis, pedimos um dos pratos sugerido pelo garçom: filet mignon ao molho bordelaise com batatinhas, shitakes e ervas. O diferencial deste filet mignon era o seu preparo através de um poeler - pelo que eu entendi, essa técnica primeiramente cozinha a carne no vapor e depois a frita sob a menor quantidade de líquido possível. O Resultado é uma carne extremamente macia.



Única ressalva que faço é que, em minha opinião, a carne foi servida em uma temperatura ligeiramente abaixo da ideal. Não valia pedir para acertar a temperatura, pois realmente era um pequeno detalhe. Mas tal detalhe talvez possa ser explicado pelo fato de que o restaurante possua duas cozinha - uma mais ou menos no 5º andar, onde são preparados os pratos; e outra no 1º andar, onde os chefs finalizam todos os pratos antes de ir para o salão. Nesse vai e vem, a nossa mesa ficava no 3º andar! Até acomodar tudo algum tempo vital pode ter se perdido de modo que a temperatura do prato tivesse saído do ponto correto.

No entanto, como disse, a temperatura da carne foi um pequeno detalhe... A experiência foi muito positiva e superou a expectativa. O difícil é sair de lá sem nenhum doce já que a vitrine da entrada é um convite ao pecado completo.

Fica a dica para quem gosta e/ou precisa almoçar no centro do Rio.

Beijos e abraços,

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Brasserie Rosário
Rua do Rosário, 34 - Centro
Tel.: (21) 2518-3033

sábado, 7 de agosto de 2010

Chega de Ruindade!

Amigos e amigas,

É isso mesmo: por que o Rio de Janeiro tem tanto restaurante com serviços tão ruim? Digo em um contexto geral, mas em particular destaco o atendimento de péssima qualidade...

O pior é que há lugares, como, por exemplo, o Bar Lagoa - na Lagoa Rodrigo de Freitas, que se tornaram ícones de mal atendimento. E pasme, a propaganda dos caras é essa mesma... E, dá certo: tá sempre cheio. Não tem um dia que eu não tenha ido lá, que eu não tenha visto algum ator famoso, artista, ou formador de opinião. O que eles tem em comum? São todos masoquistas: o Bar Lagoa não distingue tratamento a ninguém, todos são mal tratados.



A exemplo do Bar Lagoa, domingo passado fui ao Bar Veloso do Leblon tentar almoçar - tá certo que lá está mais para boteco do que para um restaurante. Mas era isso mesmo que eu queria comer: comida de boteco. O atendimento inicial fluiu entre o grosseiro ao displicente. Tão displicente que o pedido chegou totalmente errado - a picanha "ao ponto", veio bem passada (erro que tem que ser estudado pela NASA, pois o erro comum é pedir "ao ponto" e vir "cru"), a farofa de ovo veio com banana, o arroz veio com cabelo e a batata portuguesa não veio!

Depois de muitas discussões, e depois de um dos garçons ter retirado todo o pedido para refazê-lo, o segundo garçom chegou à mesa e vendo ela vazia perguntou: "agora, veio tudo certo, né?" O nada era o certo? Será que era uma mensagem do garçom para que não comessemos mais alí? Talvez...

Ao final, o garçom ainda cobrou os 10%, mas por algum problema de matemática ou outro qualquer, reparei que os 10% eram na verdade mais de 20%... E a gota d'água: "será que você poderia me pagar os 10% em dinheiro, por fora do cartão?" Acho que pela confusão, desgaste e stress eu não deveria ter pago nem a conta, quanto mais os 10% (que quase me saíram mais de 20%)!

No dia seguinte fui ao Valentina Café & Bistrô - no centro, ao lado do prédio onde trabalho. Cara, se vou no restaurante ao lado, quase geminado ao prédio em que eu trabalho, e o restaurante está vazio, pergunto: como posso demorar mais de 1 hora e meia, entre fazer o pedido e pagar a conta, acompanhado de apenas uma pessoa, que estava com pressa, assim como eu?

Mas a comida estava boa, ao menos? Não... Assim como o serviço, a comida estava ruim. No entanto, admito que o atendimento não veio acompanhado com os bônus "grosseria" e "má vontade"... Apenas da encarnção, por parte do atendente, do saudoso Peter Sellers e do personagem "Garçom Trapalhão", do Didi Mocó.

Outro dia eu vi uma enquete do Claude Troisgros em seu Twitter, onde ele perguntava o que era Alta Gastronomia... Sinceramente eu não sei responder a essa pergunta, mas sei o que é baixa gastronomia... E isso o Rio de Janeiro tem. De montão!

Após o post Cozinha Confidencial ou Maldita, resolvi ler o livro do Anthony Bourdain. Em um de seus capítulos ele fala mais ou menos o seguinte: se o dono/gerente do restaurante não tem cuidado com os garçons e com o atendimento prestado pela casa, imaginem como deve ser a cozinha em que se prepara a comida deste restaurante, local em que precisa ter muito mais pulso, comando e atitude.

Eu não sei... Acho que eu sou refém destes restaurantes, já que muitos restaurantes do Rio de Janeiro pecam pela má qualidade do seu atendimento. Acho que o negócio é tentar minimizar estes problemas rejeitando os mais bizarros... Mas tá cada vez mais difícil.

Sinceramente, espero que o Rio de Janeiro (leia-se nós, cariocas) pela sua conduta de ser um centro de vanguarda no lançamento de costumes, moda e comportamento deveria parar e reavaliar esse Statu Quo dos seus restaurantes... Abrir mão da sua vaidade e importar de São Paulo, Belo Horizonte, NYC ou qualquer outro centro cosmopolita a qualidade nos seus serviços prestados.

Lógico que se pagarmos caro para ir em um restaurante 3 estrelas no Rio, seremos bem atendidos. Mas o bom atendimento não deveria ser restringido a estes restaurantes, como não é em São Paulo. Talvez falte ao Rio a concorrência que há em São Paulo. Mas acredito que podemos ajudar criar essa condição favorável por aqui também.

A ordem deveria ser: consumidores evitem tais "barangas" - vamos nos indignar e deixar de ir nestes "Bar Lagoas" da vida; e proprietários/empresários da área alimentícia invistam em treinamento e primem pela qualidade de seu atendimento. Incessantemente!

Lembrem-se que as Olimpíadas estão aí e novas oportunidades aparecerão nesta área com a exposição da cidade a diversos investidores estrangeiros.

Peço, aos restaurantes ruins, com carinho, que desapareçam!

Beijos e abraços,

ps. Preferi não colocar endereço para que ninguém aparecesse equivocadamente nesses restaurantes... Nem fotos.


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quinta-feira, 15 de julho de 2010

Uma Noite Inesquecível com Château d'Yquem, Domaine Berthet-Bondet e Nigl

Amigos e amigas,

Há tempos atrás, fui procurar informações sobre vinhos de sobremesa. Achei algumas e comecei a preparar este post. Preciso confessar que sou relativamente novato no mundo dos vinhos e praticamente um analfabeto em relação a vinhos de sobremesa. Mas não é necessário ser um expert para beber e apreciar qualquer bom vinho - seja ele de sobremesa ou não!



Primeiramente acho válido comentar que os vinhos de sobremesa são geralmente servidos com sobremesas ou sozinhos. Diversas uvas servem para a produção destes vinhos doces, assim como existem diversos métodos de produção. Entre as técnicas mais difundidas de produção estão a colheita tardia (os franceses Muscat, feitos da uva de mesmo nome), a passificação (os Passitos da Sicília, Itália, ou os Vin de Paille, franceses), os que sofrem a ação do fungo "Botrytis Cinereae", técnica também conhecida como a pourriture noble (os vinhos Sauternes, de Bordeaux, ou os Tokaj, da Hungria) e através do congelamento (vinhos Eiswein, da Alemanha, também conhecidos como "vinhos do gelo").

Vale comentar que como as pessoas não costumam consumi-los em grandes quantidades, os vinhos de sobremesa são intensamente comercializados em garrafas de menor tamanho.

Há ainda o vinhos fortificados, também doces, tais como o espanhol Jerez (ou Xerez, ou mesmo Sherry em inglês), Porto (de Portugal) e o Vin Doux Naturel (muito comum na região de Languedoc-Roussillon, França).

Bom, feita a introdução, posso relatar a minha experiência mais marcante com os vinhos de sobremesa. Aconteceu no Eleven Madison Park, em NYC, cerca de um ano atrás. Após o jantar, a sommelier veio me perguntar se aceitava um vinho para acompanhar a minha sobremesa. Como disse a ela que não conhecia muitos vinhos de sobremesa, ela me sugeriu que eu escolhesse a opção "rainbow wine", que consistia em beber 3 vinhos diferentes, ao invés de beber apenas um. Lógico que os três vinhos seriam servidos em copos menores, de modo que a quantidade total dos três seria equivalente a uma taça normal, no caso de pedir apenas um vinho.

Entre os vinhos que constava na opção "rainbow wine" se encontrava o lendário Sauternes produzido pela "maison" Château d'Yquem (1995), o único Premier Cru Supérieur, na antiga classificação de Bordeaux de 1855. Uma relíquia que, devido aos preços bizarros, sabia que seria impossível bebê-lo no Brasil. Ou seja: era a minha grande chance!

Os demais vinhos doces, confesso que não conhecia: Domaine Berthet-Bondet, 2002 (Vin da Paille) e Nigl 2007 (Eiswein).



O mais interessante é que os três são produzidos através de métodos diferentes. O Vin de Paille, produzido pelo Domaine Berthet-Bondet, no vilarejo de Jura, na França, é feito através do método da passificação: as uvas (Chardonnay, Poulsard e Savagnin) são dispostas sobre uma bancada onde são desidratadas lentamente por cerca de três meses - igual ao método de fabricação de passas. Ao perderem água, as uvas ficam concentradas de açúcar. Depois da desidratação, o vinho é produzido e repousa por três anos em barris. Como resultado final, obtém-se um vinho doce encorpado, cheio de sabor, com um teor alcoólico de quase 15%. Pode ser guardado por até 20 anos.


Diferentemente, o vinho Nigl (produzido pela casa Nigl) é um legítimo Eiswein, ou seja, um vinho produzido pelo congelamento da uva. Após retirar a água congelada das uvas, permanece apenas o mosto concentrado de açúcares. O detalhe é que este vinho é austríaco, mais precisamente da região de Kremstal, e utiliza uvas Grüner Veltliner. É, sem dúvida nenhuma, um vinho mais leve que o Vin de Paille e mais fácil de gostar!

No entanto a estrela da noite era o Sauternes produzido pelo Château d'Yquem. Estrela mesmo, pois ele é citado em livros do Dostoiévsky (Demônios), em filmes de hollywood (Identidade Bourne) e muito mais. Atualmente, o grupo LVMH, que é sinônimo de luxo e proprietário da marca Louis Vuitton, comprou o controle do Château d'Yquem. O padrão de qualidade é tão alto que em certo ano, a safra não foi adequada e o Château resolveu não vender nenhuma gota de vinho.

Como todos os Sauternes, o Château d'Yquem é produzido pelo ataque do fungo Botrytis Cinerea. Este penetra na uva e a desidrata lentamente. Uma curiosidade: não é possível estimular nem evitar o ataque desse fungo, sendo portanto um presente da natureza para os vinicultores. Este método de produção produz vinhos classificados entre os mais raros e deliciosos do mundo, podendo inclusive ser guardados por mais de 100 anos.



Resta dizer que as 80% de uvas Sémillon juntamente com as 20% de uvas Sauvignon Blanc, sob a ação do Botrytis Cinerea é uma delícia. É uma pena bebê-lo em companhia de algum outro vinho... Chega a ser covardia com os demais concorrentes... Sem dúvida, o mito é real!

É... Infelizmente, Château d'Yquem é "imbebível" no Brasil. Me resta apenas sonhar com aquele líquido dourado. Ou melhor, com aquela noite inesquecível!

Beijos e abraços,


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Olá, sou carioca e um grande apreciador de um bom prato. Com este intuito, tentarei escrever as minhas impressões sobre os restaurantes em que eu vier a comer - descrevendo qualidades e defeitos de cada um. Caso tenha o interesse de complementar as minhas opiniões, por favor, não deixe de contribuir. Restaurantes bons devem ser vangloriados, enquanto restaurantes ruins devem ser evitados. Não concorda? Então, vamos lá... Mãos ao garfo!