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sexta-feira, 27 de julho de 2012

Degustação no Centro: Hachiko

Amigos e amigas,

Aviso com antecedência que esse post é longo, mas se você tem interesse em alta gastronomia, por favor não deixe de lê-lo, pois abaixo ofereço nada mais do que a verdade. No final, há o mapa da mina.

Há mais ou menos duas semanas, fui convidado para conhecer o menu degustação do Hachiko. O Hachiko oferece há muito tempo no almoço um dos melhores rodízios de comida japonesa que conheço. Aliás, já escrevi um post sobre este rodízio deles que pode ser acessado aqui. No entanto, à noite, o local se transforma em um restaurante de menu degustação contemporâneo. Me foi feito o convite justamente para conhecer esta nova proposta que a casa oferece para o jantar.


O responsável pela elaboração do menu degustação é o chef Checho Gonzales - lembro dele no restaurante Pecado, em Ipanema. Ouso dizer que o Pecado era um dos melhores restaurantes daqui do Rio.

Chegamos por volta das 19:15h. O ambiente estava à luz de velas e adequadamente preparado para atender aos comensais após o trabalho, cansados e necessitando descomprimir depois de um dia exaustivo.

O maître, João Ricardo, nos recepcionou e foi também o responsável pelas atenciosas explicações sobre o cardápio.

Nos explicou que seriam servidos de entrada 3 ceviches com diferentes marinadas: uma de limão, outra de maracujá e até uma de gengibre. O maître nos informou que o ceviche é feito à base de marinadas de frutas cítricas - não necessariamente de limão. É importante destacar que em todas as marinadas se alcança um cozimento químico.

Eu gosto de ceviche. Confesso que a primeira vez que comi um ceviche foi no restaurante Pecado há tempos atrás. Mas, definitivamente, não sou um grande conhecedor do prato, de modo que as informações relatadas pelo maître João Ricardo foram muito interessantes.

Em seguida, seriam servidos mais 4 pratos e, por último, uma sobremesa.

Vamos às atrações:

Primeiro veio o ceviche de peixe branco marinado no limão e temperado com cebola roxa, pimenta rosa e crocante de batata. Depois, o ceviche de salmão marinado no maracujá, raspas de coco, cebola roxa e coentro. Veio também um ceviche que lembrava o sunomono japonês: mexilhões e polvo em um vinagrete temperado com gergelim torrado.

Dessa seqüência inicial, o primeiro, marinado com limão era para mim o mais tradicional. O crocante de batata dava uma consistência maior a essa entrada. Foi o ceviche que a Carol, que me acompanhava, mais gostou.

Eu gostei mais do salmão marinado pelo maracujá: mais surpreendente. As raspas de coco com o coentro dão um toque diferenciado. Só esta marinada já vale a ida ao restaurante.

Depois desta tríade, veio o primeiro prato: "Causa". O prato se chama "Causa" e, segundo a história, ele foi criado pelas mulheres peruanas que o vendiam para arrecadar dinheiro para suportar os soldados do Peru, que em 1879 iniciaram uma guerra contra o Chile.

O prato consiste em um purê de batata inglesa e de batata baroa em sua base. Em seu "segundo andar", há escabeches de atum - atum conservado no azeite e gengibre. O nosso atencioso maître nos informou que a técnica do escabeche é muito antiga e comum até hoje em Portugal e na Espanha. No último andar, havia crocantes de batatas doce, que não apenas decoravam como também temperavam o prato.

Logo a seguir, veio um camarão enrolado em uma massa de macarrão, em um molho agridoce. Mais um prato bem elaborado e surpreendente.

E, quando eu achava que a orgia do mar havia acabado, apareceu o prato que eu achei o mais fantástico: filé de arraia ao açafrão, sobre cubos de manga e cogumelos.  Sabor intenso e bem temperado, tem que ser experimentado.

Após a arraia, veio mais dois pratos. Primeiro, o cordeiro no seu próprio molho sobre um purê de cará e chips de batata, decorado por fios de mel com wasabi e pimenta dedo de moça. (Foto abaixo)


E, por último, o clássico francês, mas com o toque do chefe: Pato confitado no molho rôtie, frutas ao curry verde e vinagrete de ervas de laranja. O maître nos informou que esse pato é confitado por cerca de 8 horas antes de ser servido.

Dos dois últimos, eu preferi mais o cordeiro. Aliás, o cordeiro foi o preferido da Carol dentre todos os pratos servidos.

No final, o maître nos trouxe a maravilhosa notícia de que seria um agrado para o chef e sua equipe se nós estivéssemos dispostos a repetir algum dos pratos servidos. Eu fiquei maravilhado, pois, embora totalmente satisfeito, desejava repetir a experiência de degustar a arraia novamente. Carol aproveitou o cordeiro no "bis".

Finalizando a refeição, nos foi servido a trilogia de chocolate: cocadinha, creme ao rum e salada de frutas.


Sem dúvida, a que eu mais gostei foi a combinação do coco com o chocolate. Carol gostou mais do creme ao rum.

Se você gosta de alta gastronomia, a proposta do menu degustação que o Hachiko está oferecendo é um ótimo achado: não perde em nada para os renomados chefs que proporcionam "menu degustação" existentes no RJ e em SP.

Se você não conhece e quer conhecer, é uma ótima oportunidade. O serviço é eficiente e simples e o restaurante é agradável e sem "afetação". Certamente você vai se sentir confortável. Não tem erro.

Beijos e abraços,


Twitter/Instagram
@viverparacomer


Hachiko
Travesso do Paço 10, Sobrado - Centro

Tel.: (21) 2210-1950

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Hachiko - Rodízio de Japonês

Amigos e amigas,

um casal amigo do blog recentemente me pegou desprevinido e me perguntou qual restaurante japonês rodízio eu recomendaria. Bom, pensei alguns minutos e não tive dúvida: o primeiro nome que me veio na cabeça foi o Hachiko. O casal disse que queria um na Zona Sul e, assim, a explicação dele ser o primeiro a ser lembrado, perdeu o sentido de ser dada.

Sem dúvida nenhuma, quando um restaurante, japonês ou não, decide oferecer Rodízio, ou All You Can Eat, a casa perde em qualidade. Salvo algumas raras exceções, é claro, a perda de qualidade é mínima ou imperceptível. E o Hachiko é uma típica exceção!



Localizado em um segundo andar de um antigo sobrado do centro do Rio, ao lado do Fórum, o Hachiko já foi, no passado, uma das filiais do Tanaka. O espaço não é muito grande, mas ele comporta grupos grandes - mas deve ser feita uma reserva com antecedência, para prevenir. A equipe de garçons é muito atenciosa e simpática - o que complementa a qualidade da casa.



No tocante a comida, vale ressaltar que o rodízio da casa parece na verdade um grande teste de degustação de comida contemporânea. É, pois realmente não sei se no Japão é servido bolinho de pato empanado, mousse picante wasabi (raiz forte), carpacio de salmão, camarão no copinho com chutney de mamão e coentro. Enfim, uma diversidade de gostosuras que não se vê em restaurantes japoneses por aí. E isso é só a entrada, pois depois é distribuído as cartelas para ser selecionado os sushis/sashimis, etc.




Acredito que o único problema de se ir ao Hachiko é o tempo: tem que ir com bastante tempo para desfrutar de um almoço de sonhos! E, como sabemos, almoçar na cidade, em meio a um dia de trabalho, sem pressa, é quase uma dádiva de deuses do Olimpo!

A título de informação, pergunto, a vocês leitores, uma curiosidade histórica: o que quer dizer Hachiko?

Para quem não conhece a história vale a pena ler abaixo. Lembro do meu avô contando essa história, só não sabia que o nome do cão era Hachiko.

Aí vai:

"Hachiko era um cão da raça Akita que pertencia a um professor universitário, chamado Eizaburo Ueno, que morava em um subúrbio de Tokyo, perto da estação de Shibuya.

Todas as manhãs Hachiko acompanhava seu dono no percurso de casa à estação de trem, voltando no final da tarde para acompanhá-lo na volta para a casa.




No dia 21 de maio de 1925, Hachiko, que tinha tinha apenas um ano e meio, estava na estação como de costume esperando seu dono chegar no trem das 16 horas. Porém, naquele dia o Professor Ueno não voltou, porque tinha sorfrido um derrame fatal na Universidade.

Após a morte do Professor, seus parentes e amigos passaram a cuidar do cão, mas Hachiko continuava indo todos os dias à estação de Shibuya para esperar seu dono voltar do trabalho. Muitos anos se passaram e mesmo com dificuldades para andar em decorrência de problemas de saúde, Hachiko mantinha sua rotina diária à estação. Sua vigília durou até o dia 7 de Março de 1934, quando já com 11 anos e 4 meses foi
encontrado morto no mesmo lugar onde esperou pelo seu dono por tantos anos.

A memória de Hachiko foi imortalizada em uma pequena estátua de bronze colocada na estação de Shibuya, local onde ele morreu.
"

Depois dessa história, fica dada a fiel dica. Hachiko!

Beijos e abraços,

ps.: O blog Viver Para Comer completou 1 ano recentemente! Obrigado a todos que comentam, opinam e, principalmente, obrigado por se importarem em lê-lo. Como alguns poucos já sabem, o Viver para Comer está no twitter @viverparacomer.



Hachiko
Travesso do Paço 10, Sobrado - Centro. (Tel.: 2210-1950)

Quem sou eu

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Olá, sou carioca e um grande apreciador de um bom prato. Com este intuito, tentarei escrever as minhas impressões sobre os restaurantes em que eu vier a comer - descrevendo qualidades e defeitos de cada um. Caso tenha o interesse de complementar as minhas opiniões, por favor, não deixe de contribuir. Restaurantes bons devem ser vangloriados, enquanto restaurantes ruins devem ser evitados. Não concorda? Então, vamos lá... Mãos ao garfo!