quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Soho de Salvador

Amigos e amigas,

muitos não sabem, mas Salvador tem um Soho. Diferentemente do Soho de NYC ou de Londres, este não é bairro. É um restaurante japonês super conceituado, localizado na Marina.

Estava a trabalho, então resolvi conferir.

Me disseram que ficava super cheio, que provavelmente eu esperaria para sentar etc. Bom, cheguei tarde, por volta das 8:47 h, de uma quarta feira.

Vista bonita e... só.

Vista da marina de Salvador.

Identifiquei diversos erros: da preparação da comida ao atendimento do garçom, que não sabia explicar o que estava servindo.

Começando pelo Gyoza da entrada em que a massa estava ligeiramente mal cozida. Podia ser explicado se o restaurante estivesse cheio - o que não estava.

 Corte extremamente grosso e excesso de molho.

Após a entrada, o combinado do chef: preparado de modo surpresa, mesmo se inquirido. Única informação dada era que seria preparado de acordo com a imaginação do chef e com os melhores ingredientes.

Ao servir, o garçom primeiramente se esquivou de explicar. Ao ser solicitado a descrever o prato, acredito que ele tenha descrito corretamente apenas a metade dos enrolados servidos. Justamente por isso, nem irei me arriscar a dizer o que de fato comi, pois ou não sei, ou me informaram errado.

Por fim, um alerta que todo restaurante japonês contemporâneo arrisca em pecar: ser mais contemporâneo do que japonês.

Para exemplificar tal pecado, basta exemplificar que os sashimis e os peixes que compunham os enrolados eram feitos de fatias super grossas; todas as duplas que compunham o combinado vinham "atolados" de molhos extremamente adocicados; e não harmonizavam bem.

A simples conclusão que cheguei é que em Salvador devemos comer comida... baiana.

Beijos e abraços,


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Soho - Bahia Marina
Av. Lafayete Coutinho, 1010 - Contorno, Salvador
Tel.: (71) 3322-4554

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Improvisando em NYC

Amigos e amigas,

Nova York talvez seja uma das cidades grandes mais interessantes. Não tem beleza construída, como Paris, nem beleza natural, como o Rio de Janeiro, nem beleza organizacional como Londres. No entanto, a energia das pessoas que vão visitar, morar e trabalhar transforma a cidade, proporcionando à mesma diversas opções culturais, gastronômicas, de compras, etc.

Sem dúvida é a cidade com mais energia dentre as que compõem o circuito "Elizabeth Arden".

Rua movimentada em frente ao Eataly - um dos
 templos gastronômicos de NYC

Na minha humilde opinião, ir a NYC e ficar preso no roteiro 'stauta' da 'liberdade', Times Square, 5ª avenida são os passeios, vamos dizer, mais chatos para se fazer em NYC.

O negócio de NYC é andar pelos bairros, descobrir alguns pontos de atenção e, como em um improviso de jazz, construir uma NYC diferente.

Exemplos: por que não se perder pelo Brooklyn e encontrar Williamsburg - o novo (e já velho) centro de moda da região? Por que não ir ao Bronx e visitar o Jardim Botânico de NYC? Por que ir sempre a musicais, na maioria, chatíssimos da Broadway e não se arriscar em uma peça off broadway com Jeff Daniels, ou uma nova leitura de Macbeth, de Shakeaspere, que um grupo londrino aportou e há mais 1 ano e meio não sai de cartaz?

Assim construí a minha rápida passagem em NYC.

Lembro que a Carol queria porque queria ir ao Blue Note. Chegamos cedo demais e o recepcionista, muito atencioso, pediu que voltássemos em 45 minutos. Recomendou que tomássemos um café em uma cafeteria na esquina onde foi rodada uma cena de "O Poderoso Chefão"...  'Pô, legal', pensei. Partimos em busca da tal cafeteria.

Andando 30m da porta do Blue Note, vimos uma casa de show, Groove NYC, com uma entrada nada amigável, onde fomos abordados pelo leão de chácara da porta nos oferecendo para dar uma olhadinha, pois a entrada era gratuita. Depois de convencer a Carol, entramos e pudemos assistir a um dos maiores shows de soul, blues e rock. A banda, não me perguntem o nome, ia de Al Green a Eric Clapton em minutos, de Michael Jackson a Hendrix, mas com uma qualidade impressionante.

Esse improviso, ou seja, alterar a programação de ir ao Blue Note e ir ao club 'Groove NYC' é o que faz NYC ser legal. Como em um solo de blues: você se atira em uma programação e acaba indo parar mascarado em uma peça de Shakeaspere ambientada nos anos 30. Puro Jazz, puro blues.

Central Park debaixo de neve - belezas do inverno

Da mesma forma gastronomicamente falando... Havíamos feito duas reservas com uma antecipação monstra. As duas simplesmente foram canceladas devido a uma falta de organização tremenda dos restaurantes.

Havia reservado para três pessoas um jantar no Louro - restaurante recém inaugurado de um português que fez a sua vida nas cozinhas de NYC. Uns 3 ou 4 dias antes de aportar em NYC, ele me manda um email dizendo que, devido à final do superbowl, o restaurante dele não ia abrir e ele havia esquecido deste pequeno detalhe.

Sem comentários.

A Marcie, do blog especializado em NYC "Abrindo o Bico", mais revoltada do que eu ao saber da imaturidade do dono do restaurante, me deu uma alternativa maravilhosa: rápida e objetiva, como em uma batida alucinante de bebop, Marcie nos ofereceu um bistrô francês sensacional, a 12 passos do nosso hotel, o L'Absinthe.

Que frio que nada: vamos malhar!

Se não bastasse um restaurante se desorganizar, nos surge um segundo percalço. De forma pior, na minha opinião... Havia ligado para reservar um jantar também para três pessoas (eu, Carol e o Bach, amigo de NYC) para jantarmos no Atera - restaurante novo, mas já super conceituado.

Esse restaurante foi escolhido a dedo dentro de uma lista diversa, com uma antecedência ímpar para que tudo saísse na maior e perfeita sintonia.

Mas, novamente, NYC é Jazz, as notas não são previsíveis e a música pode não agradar aos ouvidos: os caras do Atera, devido a um problema no sistema, perderam a minha reserva e a relançaram para o dia 12/02 - 11 dias depois da minha real reserva.

Isto porque, mesmo depois de ter ligado, havia mandado dois emails solicitando a confirmação e, inclusive, havia recebido uma resposta do Atera dizendo que tudo deveria estar certo, que não deveria me preocupar.

Chegamos eu, Carol e Bach, na hora marcada, e fomos surpreendidos com a história de que a hostess, administradora das reservas, havia tentado ligar diversas vezes para mim e que não havia conseguido nos alertar de que a nossa reserva tinha sido alterada para 11 dias depois.

Explicamos que éramos do Brasil e que o problema não era nosso, mas não deu...

Depois de muita discussão na entrada, ela nos ofereceu uns drinks por conta da casa para pensarmos  o que faríamos. Como o Bach é frequentador assíduo do Corton e, inclusive, fã e amigo do chef, Paul Liebrandt, conseguimos uma mesa de improviso.

O Corton fica a cerca de 200m do Atera, no bairro de Tribeca.

Quando saímos do Atera, a recepcionista nos falou que havia uma desistência de duas pessoas e que, se quiséssemos ficar, poderia colocar uma cadeira de apoio no balcão para uma terceira pessoa - no Atera não há mesa, se come em cima de um balcão, popularmente conhecido como "bunda de fora"!

A proposta do Atera chegou em um tempo ruim: já era tarde e as notas de improviso já haviam sido dedilhadas na guitarra do destino.

No Corton, comemos em mesas confortáveis e, principalmente, fomos extremamente bem recebidos pela equipe.

East river: vista da Williamsburg Bridge

Diante de tanta nota dissonante em uma cidade que nunca dorme, uma coisa me chama a atenção: jazz é para profissionais, e não para amadores. Se o Louro e o Atera não afinarem os seus instrumentos e entrosarem a sua banda rapidamente vão perder o tempo, a moda e, principalmente, os seus instrumentos.

Beijos e abraços,


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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Zuma, de Miami

Amigos e amigas,

De todos os 'trendies' restaurants que eu me lembro que já fui, sempre há alguma pegadinha: seja o garçom ou a hostess ser antipático (a); ou o tal restaurante ter a cultura do 'empurra' de pratos caros ou 'pega-turistas'; ou seja simplesmente o preço da conta não ser condizente com o que foi servido. No Brasil, lembro do Dalva & Dito com uma pitada de todas estas características mencionadas e, no exterior, há muitos, mas especificamente me lembro da minha experiência, que já descrevi por aqui, no Nobu de Miami.

O Nobu, pra mim, foi uma grande decepção, pois quando eu fui a NYC pela primeira vez me disseram que era um dos melhores de lá. E mais: eu cresci com a máxima de que os melhores restaurantes japoneses da terra se encontravam em NYC. 

Ouvi falar muito bem do Zuma há tempos atrás. Comprei o Zagat de Miami para fazer uma seleção: o Zuma era um dos melhores. Só perdia para o Naoe, recém inaugurado, localizado no Brickell Key.

Vale mencionar que o Zuma é um desses restaurantes da moda que possui filiais, não apenas em Miami, mas como também em Hong Kong, Dubai, Istanbul e em Londres. Inclusive, a Dri EveryWhere fez um post sobre o Zuma de Londres há um tempinho atrás.

O ambiente super "trendy" do Zuma.

Resolvemos ir ao Zuma com uma reserva com bastante antecipação feita por email, mas mesmo assim com uma pitada de, como posso dizer, esnobismo: "temos uma mesa para sua data requisitada, graças a uma desistência".

Chegamos com um ligeiro atraso, pois não encontrávamos o portão de entrada do hotel em que ele é localizado.  Mas isso não foi problema e fomos recebidos com extrema boa receptividade.

Logo fomos apresentados à nossa garçonete: super perfomática e simpática. Ela lembrava a Marie Antoniette de Kirsten Dunst.

Ela nos explicou que o Omakase da casa era um menu de degustação, que abarcava as três cozinhas que o restaurante possui. Existiam, se não me engano, quatro tipos de Omakases e escolhemos o segundo, depois do mais simples.

O set começou com um amuse bouche à base de espinafre (um creme), temperado com gergilim; seguiu com uns sashimis cheios de temperos e ovas, que tínhamos que enrolar para comer.

Logo depois veio uma pequena travessa que continha dois tartares: de atum e salmão. Na minha opinião muito bonita a apresentação, mas os tartares vinham tão processados, totalmente diferente de tartares picados na ponta da faca, que não gostei tanto. Serviram também umas torradas de arroz para acompanhar.

Em seguida, uma porção de sushi e sashimi: sushis de mackerel (cavala) e snapper (pargo); já os sashimis foram salmão, atum e o yellow fin tuna (albacora) - perdoem-me se as minhas traduções estão equivocadas. 

O pequeno combinado servido. 
Em destaque os dois sushis: mackerel e snapper.

Para segregar bem a parte quente das frias, foi servido um uma sopa de missô. 

Ah, quase me esqueci: nos foi servido também, não lembro se antes ou depois da sopa de missô, um Soft Shell Crab. Muito bom.

A partir daí a sequência foi sensacional:

Vieiras grelhadas, excelentes, servidas juntamente com aspargos grelhados, que eu adoro. Fechando o trio, black cod, o nosso bacalhau, de uma forma totalmente diferente: grelhado com um molho divino. Emocionante.

Quando achava que já havia acabado, nos foi servido o último prato: uma carne super macia, tenderloin ou o nosso filet mignon, com um molho ligeiramente agridoce. Achei por alguns momentos que era wagyu beef de tão macio e saboroso.

Pra fechar a noite, sabíamos antecipadamente que o Zuma possuía ótimas sobremesas e nos foi servido um petit gâteau de chocolate e uma Key Lime Pie de chorar. Acompanhavam um sorbet de goiaba e um outro de tangerina.

Sem dúvida, o Zuma é um restaurante de moda, pra ver todo o agito de downtown Miami. Mas a comida, ao menos para mim, superou as expectativas e valeu a pena. Mil vezes mais que a minha antiga experiência no Nobu.

Beijos e abraços,


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Zuma
270 Biscayne Boulevard Way - Miami Downtown
Tel.:  +1 305 577 0277

sábado, 26 de janeiro de 2013

Massa, funghi, trufas e espumas

Amigos e amigas,

o CT Trattorie, localizado onde era o Boteco (Bistro) 66, é um ótimo restaurante de massas. É a cantina da família Troisgros. Todas as invencionices ligadas a massas frescas, de grão duro, risotos, saladas italianas etc estão disponíveis no cardápio dessa casa. Inclusive, uma atenção maior aos vinhos italianos, na carta de vinhos da casa.

Mais um restaurante "Troisgros"

Após ter me encantado e ido já algumas vezes a casa, sinto-me transtornado após uma seguidora do Instagram fazer um comentário negativo sobre as espumas que decoram e acompanham diversos pratos. No caso, eu havia postado uma foto de um risoto de camarão com pupunha, que vinha acompanhado com uma espuma de azeite de trufas bracas. O comentário foi "tirando a espuma, parece bom".

Polenta com gorgonzola derretido: esse não tem espuma!

É, na verdade, eu refleti e me perguntei: por que da espuma?

Não sou cozinheiro, nem fervoroso fã da cozinha molecular - embora ache que há coisas pro bem e pro mal nessa escola -, de modo que se eu quisesse explicar a necessidade de se introduzir espumas com sabores, eu fracassaria.

Risoto de camrão e palmito com espuma 
de azeite de trufas brancas: o "causador" do post.

Mas, notoriamente, há uma predileção neste CT em se misturar espumas nos pratos: na polenta de funghi (funghi porcini assado e trufado), no fettuccine de funghi com azeite trufado, no risoto de camarão já citado...

Engraçado porque realmente a comida italiana é geralmente uma refeição "segura" de se comer em qualquer restaurante, no mundo inteiro. Você viaja para a Tailândia, mas se você não quiser se arriscar, basta achar um restaurante italiano que se satisfaz sem riscos.

Fettuccine de funghi com 
espuma de azeite trufado: maravilhoso!

Realmente a minha seguidora tem razão: não é das coisas mais belas, esteticamente falando. E da forma com que a espuma é acomodada dificulta ver o prato de frente. Talvez isso assuste as pessoas mais tradicionais.

Profiterólis de frutas vermelhas: 
pra esquecer qualquer espuma.

O que eu posso escrever a favor de todas estas espumas é que elas são muito saborosas e com certeza será muito difícil alguém não gostar dos pratos. Na minha opinião, o melhor prato da casa que comi é o fettuccine de funghi com espuma de trufas.

Agora, se realmente tais espumas vão se sustentar diante da tradicional culinária italiana... Bom, do jeito que esta 'trattorie' está cheia de gente à espera de uma mesa, acredito que vai sim.

Único ponto negativo da casa, assim como em todos os outros restaurantes da cadeia, é que aqui também se cobra 12% pelo serviço. Aliás, sobre essa questão, também dá para escrever um post! Mas isso é uma outra resenha...

Beijos e abraços,


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CT Trattorie
Rua Alexandre Ferreira, 66 - Lagoa
Tel.: (21) 2539-0033

sábado, 19 de janeiro de 2013

Comida aconchegante

Amigos e amigas,

uma das coisas que eu prometi a mim mesmo nessa virada de 2012 para 2013 era conhecer novos restaurantes fora do eixo Centro-Zona Sul do Rio de Janeiro.

Dentre os vários que já escutei falar muito bem, o Aconchego Carioca era uma vontade antiga. Havia escutado que ele tinha feito um grande sucesso no "Comida di Buteco", festival que acontece anualmente no Rio, elegendo as cozinhas dos melhores botecos do RJ.

No entanto, ouvi também que a proprietária havia retirado o Aconchego Carioca desse festival, pois como ela não ganhava, achava injusto a participação do seu restaurante. Não sei se é verdadeira a história, mas foi o que eu escutei...

Da mesma forma, umas amigas minhas - que são super bagunceiras - me disseram que tentaram ir ao Aconchego Carioca durante o período do festival "Comida di Buteco", mas acabaram sendo proibidas de entrar na casa por excesso de bagunça!

Okay...

Ano passado, o Aconchego Carioca havia ganho o prêmio da 'Veja Rio' de melhor restaurante brasileiro. Isso, pra mim, não quer dizer nada, porque tem cada "bomba" que ganha prêmio da "Veja Rio"; e vida que segue...

De qualquer forma, um boteco (ou restaurante?) que venha a ganhar o prêmio de melhor restaurante de comida típica brasileira tem que ter algum diferencial.
A fila nada convidativa de espera.

Chegamos tarde. Aliás, bem tarde. E a espera era de, pelo menos, 1h  e meia. Como tínhamos um evento no final do dia no bairro do Cachambi, resolvemos seguir os ensinamentos bíblicos de Jó e aguardarmos pacientemente pela recompensa.

A fila foi lentamente se desfazendo, parte por desistência, parte por existirem mesinhas do lado de fora do restaurante que acabaram podendo fazer pedidos - me foi explicado que as mesas de fora são para dar apoio na espera e geralmente não são servidas refeições. Acontece que, no sábado em que fomos, havia uma mesa gigante que ocupava quase 1/3 do restaurante comemorando o aniversário de uma menina, fazendo uma algazarra e atravancado todo o fluxo de rotatividade do restaurante.

Quando chegamos junto à organizadora da fila, que logo percebi ser a sócia-proprietária de tantas histórias folclóricas, fiquei um pouco na dúvida de como estaria o nível de tensão e simpatia da casa. 
Digo isto porque realmente havia uma tensão muito grande de todos os funcionários no tocante a acomodar os comensais que aguardavam na fila, bem como uma tensão enorme de quem estava na fila, aguardando para comer.

A sócia-proprietária estava preocupada não apenas em organizar a fila, mas visivelmente estressada com o funcionamento da casa e com a administração da mesa gigante. No entanto, foi super atenciosa com todos os pedidos dos clientes que aguardavam na fila.

Lembro que um casal que aguardava na fila atrás de mim com uma filha pequena (cerca de 8 anos) pediu para que fosse acomodado rapidamente para que sua filha se alimentasse. A proprietária atendeu. 
Nesse momento, criou-se uma dúvida filosófica: vale a pena para um casal aguardar com uma filha pequena almoçar em um restaurante, que já anuncia desde a chegada que o tempo de espera é de 1h e 30? 

Não sei se vale nem pra mim, nem pra ninguém. 

Alegar apenas no final que possuía uma filha pequena que estava faminta, depois de a família ficar a fila toda incólume e se sentar 20 minutos antes, fez muita diferença? 

Não era melhor ter solicitado uma mesa "com prioridade" assim que chegou?

Se eu não tivesse um evento que começaria mais tarde, sem dúvida eu não teria ficado. Bom, ficaram as dúvidas filosóficas, juntamente com o bom senso, pairando no ar...

Quando eu estava começando a ter certeza de que a paciência de Jó era mais do que uma devoção e sim um sinal patológico de masoquismo, eis que nos aparece uma mesa.

Beberiquei uma Terezópolis, juntamente com um pastelzinho de entrada sensacional!
Como a carta de cerveja de lá é excelente, não sabia nem qual cerveja pedir. O garçom que nos atendeu, muito simpático, demorou uma eternidade para trazer a carta de cerveja - provavelmente explicado pela tensão do dia.

Depois de quatros solicitações, ele me trouxe o cardápio e, muito gentilmente, me explicou todas diferenças entre IPA, Lager e Pilsner da Brooklyn Brewery.

A East IPA da Brooklyn Brewery.

Acabei experimentando a India Pale Ale (IPA) da Brooklyn Brewery. Bem forte e com muito sabor, acredito que vale a pena ser experimentada.

Os pastéis de entrada, que pedimos assim que sentamos, eram sensacionais: metade da porção de camarão e a outra metade de queijo com espinafre e castanha do Pará. Muito bons.

Tem coragem? Deliciosos.

Um tempinho mais tarde, chegou o nosso bobó de camarão, acompanhado de arroz branco e farofa amarela.

Depois de tanta espera, a recompensa: foi um dos bobós mais gostosos que já comi. Consistência perfeita, o bobó tinha tempero vivo. Explico: era possível sentir a frescura do coentro a cada garfada. Não conseguia parar de comer. Já tinha saciado a minha fome, mas me recusava a deixar uma garfada na panela de barro. Divino.

O nome desse bobó deveria ser: "quel émotion!"

E, sem dúvida, o prato era muito bem servido e também era suficiente para, pelo menos, 3 pessoas com fome e 4 pessoas de apetite moderado. 

Pra finalizar, pedimos uma almofadinha doce. Uma espécie de pastel à base de tapioca, com doce de leite, temperado com canela e acompanhava ainda uma bola de sorvete de creme. De comer chorando...

Diante de tantas histórias contadas no início desse post, que nem sei se são verdadeiras, o fato que constatei é que o Aconchego Carioca não é bar e também não é um boteco. É um excelente restaurante. 

Teve alguns deslizes quanto ao serviço, mas em relação à comida é sem dúvida divino.
Espero voltar lá, em breve, mas cedo para não pegar aquela fila de Jó.

Beijos e abraços,



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Aconchego Carioca
Rua Barão de Iguatemi, 379 - Praça da Bandeira
Tel.: (21) 2273-1035

domingo, 13 de janeiro de 2013

Thai Brasil, em Paraty

Amigos e amigas,

de todos os restaurantes que estive em Paraty recentemente, o que eu mais gostei foi o Thai Brasil.

A entrada toda estilizada

Quando chegamos, o restaurante estava todo ocupado. Uma atendente disse que não poderia colocar uma mesa no pátio interno, descoberto, pois havia um cliente que já havia pedido e ela negado.

Cinco minutos depois, apareceu um garçom simpático e alto astral que logo depois disse: "Como é que eu não vou acolher esses todos esses clientes em uma mesa no pátio, lá fora, com esse céu estrelado maravilhoso?". Como éramos ao todos 8 comensais, só lá mesmo poderíamos ser acomodado de forma agradável.

Clima descontraído do restaurante

O restaurante é super alto astral e muito bem decorado. É um clima descontraído, com temática tailandesa, é claro, mas sem exagerismos. Também tem um empório que vende produtos asiáticos, ao lado da cozinha.

Vieiras thai

Após acomodados, o garçom começou a trazer as bebidas: alguns chás de entrada e para mim algumas cervejas.

De entrada comemos umas vieiras excelentes.


De prato principal, um camarão ao curry vermelho, que segundo o garçom, era nível 5 de ardor. Isso porque pedi bem forte.



O "quente" camarão com curry vermelho nível 5

O prato estava excelente. E o ardor não decepcionou.



Arroz de jasmin acompanhou o prato.

A Carol acabou pediu um tradicional Pad Thai que não decepcionou.
Pad thai

Após a nossa refeição, batemos um papo com a alemã radicada no Brasil há anos. Ela e a filha dela comandam a grande cozinha aberta.

O papo descontraído na simpática cozinha 

Valeu muito conhecer o restaurante Thai Brasil!

Beijos e abraços,


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Restaurante Thai Brasil
Rua do Comércio, 308A - Paraty
Tel.: (24) 3371-2760

domingo, 6 de janeiro de 2013

Réveillon, Paraty e Punto Divino

Amigos e amigas,

Feliz ano novo.

Paraty tem muito charme e é uma das cidades mais interessantes do estado do RJ. Tem história, tem bons restaurantes, praias e cachoeiras maravilhosas. É possível sentir toda a história de Paraty só andando pelo seu centro histórico. Com as pedras do calçamento, chamadas de 'pé-de-moleque', o simples caminhar pelas suas ruas é uma aventura.

O calçamento de pedras "pé de moleque"

A arquitetura colonial do centro histórico é considerado patrimonio nacional, tombado pelo IPHAN. E o que mais encanta na arquitetura dos sobrados é a simplicidade. Muito dessa arquitetura vem da tradição da região em produzir e escoar açúcar e a de produzir cachaça nos alambiques dos diversos engenhos que pipocaram entre os séculos XVII e XVIII.

E Paraty possui a mata atlântica ao lado de praias maravilhosas. Sem dúvida, Paraty é uma perdição para quem  gosta de um contato mais próximo com a natureza.

Paz e tranquilidade

Infelizmente, o réveillon talvez não seja a melhor época para se conhecer Paraty. Aliás, estou cada vez mais certo de que não é o momento para se conhecer nenhum lugar.  Muita gente, hordas de carros desgovernados, stress, transito e horas e horas na estrada para voltar para casa, tiram a paciência de qualquer um.

No tocante aos restaurantes, Paraty também tem uma diversidade interessante. Naturalmente, não se pode julgar os restaurantes de cidades menores com os das grandes capitais. Também deve-se procurar nos restaurantes locais, os ingredientes que tais regiões podem nos oferecer de melhor. Caso contrário, é possível você se deparar com alguns "extremos"...

Esse réveillon pude atestar alguns restaurantes. E justamente foi no Punto Divino que percebi esses extremos.

Chegamos cedo para almoçar - estratégia que uso em tempos de "guerra", de feriado prolongado. Nós éramos ao todo 4 casais. O restaurante estava bem vazio, pois todos estavam na praia por volta das 15 h. Lembro que nesse dia Trindade - vilarejo de praias, ao lado de Paraty - simplesmente parou. Quem foi para lá não conseguia parar o carro e também não conseguia sair do vilarejo.

Enquanto a multidão se degladiava para estacionar ou voltar da praia, nós, felizmente, aproveitávamos um Miolo, Chardonay, enquanto esperávamos as nossas entradas. Bruschetta de tomate e uma bruschetta de funghi. O primeiro extremo: a bruschetta de tomate deliciosa. Já a bruschetta de funghi de razoável a ruim.

A arquitetura local e a multidão

Como pratos principais, uma variedade foi pedida: raviole de ricota com espinafre ao molho de manteiga com sálvia; gnocchi de gorgonzola; Penne alla norma, servido com queijo parmezão no lugar de ricota; e spaghetti Mare e Mata.

Escrevi em ordem, que vai de razoável a excelente.

Achei o raviole de ricota com espinafre sem emoção e o molho de manteiga com sálvia boboca. Já o gnocchi de gorgonzola um pouco pesado, mas bom.

Raviole com o seu molho boboca

Diferente estava o penne alla norma - mesmo sem a ricota, a massa e o molho estavam muito bons.

Penne alla norma: com abobrinha e parmezão

Por último, o Spaghetti Mare e Mata estava sensacional. Camarões e uma grande vieira ornavam o prato que vinha com um molho super saboroso, a base de redução de cachaça. Sem dúvida, a grande pedida da casa.
Spaghetti Mare e Mata: temperado com raspas de limão

Acredito que, como escrevi anteriormente, é importante observar quais ingredientes podem ser obtidos na região. Lembro que há mais ou menos uns 5 anos, visitei uma fazenda de vieiras em Angra dos Reis. Quando vi que o Spaghetti Mare e Mata vinha acompanhado de vieiras, não titubeei. E não me arrependi!

Abrimos sem dúvida nenhuma super bem a nossa viagem de réveillon.

Mesmo com todos os inconvenientes de uma cidade pequena super lotada.

Beijos e abraços,


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Restaurante Punto Divino
Rua Marechal Deodoro, 129 - Paraty
Tel.: (24) 3371-1348 

Quem sou eu

Minha foto
Olá, sou carioca e um grande apreciador de um bom prato. Com este intuito, tentarei escrever as minhas impressões sobre os restaurantes em que eu vier a comer - descrevendo qualidades e defeitos de cada um. Caso tenha o interesse de complementar as minhas opiniões, por favor, não deixe de contribuir. Restaurantes bons devem ser vangloriados, enquanto restaurantes ruins devem ser evitados. Não concorda? Então, vamos lá... Mãos ao garfo!