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sábado, 5 de março de 2011

San Francisco: Just a Glimpse

Amigos e amigas,

de todas as cidades que eu já conheci nos USA (não foram muitas) a que eu mais simpatizo é San Francisco. Infelizmente nunca fiquei muito tempo e preciso dizer que San Francisco é sobretudo uma cidade de clima bem frio. Mas o que mais me chama atenção é que San Fran é uma cidade com diversos prédios de arquitetura victoriana baixos - talvez herança do terremoto que causou diversas mortes no início do século XX.

Lógico que há um downtown, com prédios altos e tudo mais. Mas não é o marcante. O Marcante são os prédios baixos, o Chinatown (alguém lembra do filme Aventureiros do Bairro Proibido?), as milhares de ladeiras, a ilha de Alcatraz, os bondinhos e a Golden Gate. Ah, para quem gosta de correr, a maratona de San Francisco é uma das mais bonitas e uma das mais difíceis também - correr 42 km entre subidas e descidas não é pra qualquer um não!

Quando fui a primeira vez a San Fran fiquei pensando: " O que há atrás da Golden Gate?". Quando voltei descobri que tinha perdido a chance de ter conhecido as cidades/bairros de Sausalito, Tiburon e Belvedere.

Assim entrou San Fran na jogada: passagem entre as rotas Las Vegas-Napa Valley e Napa Valley-Oahu. Seriam duas piscadelas na cidade, que precisariam ser estudadas para otimizar o tempo.

Chegaríamos com fome para o café da manhã e passaríamos o resto do dia em Sausalito.

Bom, com essas metas, nos encaminhamos para o café, assim que descemos do aeroporto. Acima do bairro do Castro (famoso reduto GLSBT (?) e agora mundialmente famoso pelo filme Milk), há um bairro chamado Cole Valley. Nesta redondeza, há uma loja de queijo famosa pelos seus queijos importados e sua charcuterie: Say Cheese. A loja não é muito grande e os queijos estão dispostos em uma vitrine dentro da loja. Fiquei enlouquecido! Pedimos um sanduíche de gruyère, jamón serrano e tapenade de azeitonas pretas.

Além desse sanduíche, feito com um belo pão de casca crocante, compramos dois pedaços de queijo: um que imitava o brie francês, mas na minha opinião estava mais para o camembert e um pedaço de queijo que imitava o reblochon... Pela legislação americana, os queijos tem que ser pausterizados e assim perdem um pouco do gosto característico. Tanto o tipo brie quanto o tipo reblochon possuíam gostos mais leves que os originais - que são bem fortes.

Para acompanhar estes queijos, pedimos uma baguete da Semifreddi's Bakery - que era a fornecedora de pães da Say Cheese. Vale comentar que San Francisco possui famosas padarias: a Boudin, a Acme Bread e a nova queridinha deles, a Tartine Bakery. Comemos na Boudin - que já passou até programa na Nat Geo sobre a lendária massa-base de fermento, de mais de 100 anos, que fazem todos os pães da casa -, mas posso garantir que o pão deles não vale a fama. Tentamos ir na Tartines, mas a fila era tão grande que desistimos. Mas o Pão da Semifreddi's é demais. Não tem a fama ainda dos demais, mas vai chegar lá....


Não foi dessa vez que consegui ir a Tartine Bakery, já que a fila que havia na porta deles, às 7:30 da manhã de uma sexta feira, era de contrariar qualquer poliana... Ainda mais com o frio que fazia.


Voltando ao pão da Boudin: não tem nada demais. Comi um sanduíche feito em um pão tradicional e... nada. Em uma passagem pelo aeroporto, pedi um clam chowder dentro de um pão deles e garanto que o clam chowder estava delicioso, mas o pão... tava ruim mesmo! Aliás, não apenas eu achei isso, como uma senhora que comia ao meu lado deixou o pão também!

Feitos os comentários sobre queijos e pães, nos restou o almoço para realizarmos. Como dito, havia escolhido como ponto de stop para almoço a cidade de Sausalito, pois não a conhecia. Mas onde comer por lá? Recorri a minha comunidade gastrônomica Chowhound (acho que já falei dela aqui, não?) para tirar essas dúvidas. Me falaram do Poggio, da bela vista do Spinnaker, de alguns outros e... do Fish.

Bom, lembro que alguém havia feito um comentário em algum thread "e o Fish... Sempre nos acompanhando... Adoro!" De todos da lista que haviam me dado, ele era o mais simples e estava bem comentado no guia Michelin. Pensei: "Taí, esse é o que que quero ir". Com um mês de antecedência eu já sabia o que comer lá...

O restaurante fica debruçado sobre a marina de Sausalito, de frente para os barcos. Infelizmente, chegamos num dia muito frio (San Francisco é frio no verão... Nesse inverno, chegou a nevar depois que passamos por lá!) e bem nublado. Assim, entramos direto e fomos atendidos por uma garçonete bem simpática. Fazem-se os pedidos de pé, de frente para a caixa registradora e se espera os pedidos na mesa. Pedi um Fish and Chips, mas troquei a batata pela salada.



Ia pedir um Clam Chowder de entrada, mas achei que as porções lá fossem grandes, e segurei a vontade. Segurei a vontade do Clam Chowder, mas não do Clam Dip: uma espécie de pasta de cream cheese, temperado com cebola, alho e vinho branco e vongôles que podiam ser petiscadas com chips de batatas.



Cara, o restaurante é simples, nada chique, a comida tem aspecto de comida de marinheiro, mas era tudo que eu esperava e... gostei! Realmente tinha o clima que esperava! E o restaurante cobra um preço bem apropriado.

Depois de tanta expectativa por conhecer Sausalito, o Fish. e de dirigir sobre a Golden Gate, percebi que o tempo que havia preparado inconscientemente para isso não passava de míseras 3 horas. Mas com certeza foram bem aproveitadas. Escrevendo toda essa aventura, hoje, não tenho dúvida de que San Francisco passou na minha frente em duas piscadelas. Em uma piscadela, eu vi o Say Cheese e, na outra, o Fish. E se tudo isso não foi um sonho?

Beijos e abraços,


Twitter
@viverparacomer


1) Say Cheese
856 Cole Street, San Francisco, Tel.: (415) 665-5020

2) Fish.
350 Harbor Drive, Sausalito. Tel.: (415) 331-3474

domingo, 12 de dezembro de 2010

Lembranças de San Francisco

Amigos e amigas,

escrevo este post com o intuito de compartilhar algumas lembranças positivas e negativas, no campo gastronômico, de uma viagem que fiz. É um post, como diria a Dri Everywhere, do tipo "Serviço de Atendimento aos Leitores" (S.A.L) que pode contribuir, ou não, para o planejamento da sua próxima viagem... Espero que gostem. ;-)


Há mais ou menos uns 3 anos atrás fui para San Francisco - uma viagem que vale muito a pena fazer, principalmente se você tiver a oportunidade de descer a linda Highway One até San Diego. Nesta viagem, eu percebi algumas dificuladades pra quem vai a restaurantes no exterior, que valem a pena comentar...

Lembro que no primeiro dia em San Fran, fomos a um restaurante almoçar. Antes de viajar, pensei comigo que seria fácil me comunicar por lá, pois havia estudado inglês uns dez anos... E se tinha me dado bem em Paris, não seria difícil me comunicar nos EUA.

Mas não foi bem assim... Se você não está praticando inglês há um tempo (no meu caso, se eu tinha estudado uns 10 anos, havia também uns 10 anos que não praticava) e se o inglês não é a sua língua materna, ou se você nunca fez um intercâmbio de média duração - assim como eu -, por mais que você esteja lendo constantemente em inglês ou veja filmes 'made USA', posso te garantir que a língua enferruja e pesa... E como pesa! Lembro que nesse nosso primeiro almoço em um restaurante entre Nob Hill e o Financial District eu comecei a rir comigo mesmo após inúmeras vezes tentar falar um simples "I'd like a bottle of still water!"

Além do inglês 'de se comunicar', existe um outro inglês para qualquer viajante: o inglês gastronômico! Cara, isso você não tem como fugir, pois você vai ter que se alimentar. A não ser que você queira comer todos os dias num Mac Donald's - assim você não terá problema, pois é só pedir: "one big mac meal, please."

O que é squash, kidney, cabbage, scallops, zucchini, surf and turf, snapper, etc? Você vai perguntar, o garçom vai te explicar e mesmo assim você não vai entender... Tenta explicar para você mesmo o que é vongôle ou terrine em português... Se você sabe, é fácil. Mas se você não sabe, não adianta. Imagina em inglês. Ou você conhece, ou não conhece o significado... Aí, só pedindo mesmo pra ver o que é. O pior é que muitas das dúvidas de vocabulário gastronômico em inglês (ou em qualquer outra língua) você conhece o alimento/ingrediente/tempero. Basta saber se você realmente gosta - é aí que mora o perigo; principalmente se você tem alergias!

Recomendo estudar, antes de viajar, tais vocábulos: do que você mais gosta e principalmente do que você não suporta.

Mas vamos lá... Seria recomendável, mesmo assim, que você não se intimidasse e não deixasse de ir a algum restaurante - é inconcebível pensar em ir ao Mac Donald's durante todos os dias de viagem. Bom, ir a um bom restaurante (ou a um restaurante sem ser de grandes redes) em uma viagem é defensável por pelo menos dois motivos: primeiro, para você comer bem e, segundo, porque não deixa de ser um complemento cultural de qualquer viagem conhecer os hábitos gastronômicos locais. Sem falar que os restaurantes no exterior são mais baratos do que no Brasil, se comparar restaurantes da mesma categoria - na minha opinião, os restaurantes brasileiros são os mais caros do mundo.

Bom, lógico que tudo depende... Mas se você gostaria de ir ao menos em um restaurante em sua viagem recomendo muito que, primeiramente, você procure indicações dos restaurantes locais, perguntando no hotel, ou simplesmente comprando um desses guias locais, tipo Michelin ou Zagat (adorado pelos americanos). Estes guias são importantes também para você saber o quanto, em média, o restaurante desejado cobra e verificar se o custo deste está de acordo com o seu bolso.

Lembro da gente no hotel selecionando um restaurante dentre muitos em uma revista disponível no nosso quarto. Escolhemos um restaurante que ficava a 100 metros do nosso hotel e era indicado para a comemoração do Valentine's Day, que se aproximava. Como estava frio para dedéu (San Francisco no inverno é bem frio) e este restaurante ficava muito perto do nosso hotel, não tivemos dúvida e fomos "com tudo".

O restaurante era lindo, muito confortável e super elegante. Extremamente romântico. Ele se chamava Fleur de Lys - french cuisine, claro. O serviço era muito simpático e atencioso, a comida era muito sofisticada e também muito boa. E o preço? Muito superior ao que planejava gastar durante as minhas três noites em San Fran - essa é uma das pegadinhas que estamos suscetíveis em viagens.

Mas tem remédio pra isso: estudar! De novo: recomendo os guias citados acima. Recomendação de amigo? Blogs? Se você confia, lógico - se não, eu não estaria escrevendo aqui, né? Recomendação de agência de turismo e revistas de viagem brasileiras? Hum... Posso contar sobre duas indicações gastronômicas de revistas de viagem...

A primeira: Caffè Trieste. Nos falaram que era excelente, imperdível e que havia um capuccino maravilhoso. De acordo com a reportagem, Francis Ford Coppola havia escrito o roteiro do Poderoso Chefão em uma de sua mesas. "Vamos lá!", disse pra mim mesmo. A realidade é que o cappucino era igual a qualquer outro, o atendimento era péssimo e o restaurante tinha um aspecto de sujo. E o Coppola? Acho que tinha um poster do Poderoso Chefão e só!

No entanto, uma indicação positiva de uma destas revistas de viagens foi a de tomar um café da manhã no Mama's on Washington Square. Muito popular e com aquele estilo de café da manhã americano, o Mama's é de uma simplicidade enorme. O breakfast servido lá era sensacional. E, mesmo lotado, todos os atendentes foram extremamente atenciosos.

Bom, aí você vai dizer "não preciso de guia", é só seguir os conselhos das agências/revistas. Pode ser, mas eu tive 50% de sucesso seguindo tais conselhos, né? No Zagat de San Fran, por exemplo, você vê que o Mama's é super bem cotado e o Caffè Trieste nem citado é - 100% de acerto, rs.

Se North Beach de SF é o berço da contracultura do movimento beatnik, onde viveram Jack Kerouac e William Burroughs, Fishman's Wharf é onde os leões marinhos pegam um sol, de frente para a ilha de alcatraz. E é lá mesmo que se encontra o mercado de peixes, onde é possível comer uma lula à dorê deliciosa, em uma das inúmeras barraquinhas. Ah... Mas comida de rua? É... Isso não tá em nenhum dos guias! Mas não tenha preconceito de comer, onde existir consumidores "vivos" em volta. Eles são a prova real de que a comida é boa! Aliás, isso sim é viajar.

Who's next?



Ps. A Carol não quer que eu termine esse post sem comentar sobre a loja da Ghirardelli localizada em uma das fábricas dela, em frente à famosa Golden Gate. É chocolate bem doce, hein? Chocólatra nenhum botará defeito. Peçam o tal do Sundae Hot fudge!

Ps2. Aproveitando que citei Jack Kerouac: para quem for a San Francisco e quiser se aventurar na Highway One até San Diego, uma boa dica é que leiam o livro que eternizou a rota 66: Pé Na Estrada (On The Road). Embora ele se concentre mais na travessia do leste para o oeste, feita por Kerouac, o livro transmite bem o espírito de se aventurar pelas estradas norte-americanas. Sem falar no estilo dos beatniks que ainda impregna em San Fran.

Beijos e Abraços,

Twitter
@viverparacomer


1) Fleur de Lys777 Sutter Street - San Francisco.
Tel.: (415) 673-7779.


2) Caffè Trieste601 Vallejo Steet - San Francisco.
Tel.: (415) 392-6739.


3) Mama's On Washington Square1701 Stockton Steet (at Filbert) - San Francisco.
Tel.: (415) 362-6421.


4) Ghirardelli Sqaure900 North Point Street - San Francisco.
Tel.: (415) 775-5500.

Quem sou eu

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Olá, sou carioca e um grande apreciador de um bom prato. Com este intuito, tentarei escrever as minhas impressões sobre os restaurantes em que eu vier a comer - descrevendo qualidades e defeitos de cada um. Caso tenha o interesse de complementar as minhas opiniões, por favor, não deixe de contribuir. Restaurantes bons devem ser vangloriados, enquanto restaurantes ruins devem ser evitados. Não concorda? Então, vamos lá... Mãos ao garfo!