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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

L'Entrecôte de Paris

Amigos e amigas,

não tem muito tempo que escrevi aqui sobre o L'Entrecôte d'Olivier. Nesse último fim de semana, tive a oportunidade de conhecer um outro restaurante com esse mesmo modelo de brasserie francesa, onde é servido apenas um tipo de prato: L'Entrecôte de Paris.

Quase homônimo do restaurante do apresentador Olivier Anquier, o L'Entrecôte de Paris tem particularidades e qualidades que o destacam. O restaurante possui uma decoração com cara de brasserie, de fato. O salão se estende para as varandas fechadas e possui uma bela adega de vinhos. Aliás, soube por amigos, depois, que o restaurante possui uma bela carta de cervejas.

Mas, o almoço tardio - chegamos para almoçar às 16h-  demandava um pouco de vinho. Pedimos, juntamente com a salada, uma meia garrafa de Morandé Carménère.

A salada vinha com muitas nozes, o que não me agradou. O molho estava excelente. Mas as nozes atrapalharam a entrada.

Como prato principal, a carne veio bem macia. O molho sobre a carne também, muito gostoso. O ponto ruim é que, ao menos para mim, o prato podia ser melhor servido. Digo de carne, pois a batata frita é reposta mais vezes.

O destaque especial da casa foram as sobremesas: o pudim de leite e, em especial, o mil folhas de doce de leite estavam sensacionais.

Gostei muito de ir até ao L'Entrecôte de Paris mas, sinceramente, gostei mais das minhas experiências anteriores no L'Entrecôte d'Olivier. Bom, talvez eu devesse voltar mais uma vez em um horário mais próximo do almoço para avaliar melhor, e assim fazer uma comparação adequada.

Mas, sem dúvida, a ida até o L'Entrecôte de Paris vale a pena.


Beijos e abraços,


Twitter/Instagram
@viverparacomer


 L'Entrecôte de Paris
Rua Pedroso de Alvarenga, 1.135 - Itaim Bibi - São Paulo.
Tel. (11) 3078-6942.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Paris, Je t'aime

Amigos e amigas,

de todas as cidades que eu conheci, sem dúvida, Paris é a cidade que eu mais gosto. É totalmente cliché, mas é verdade: Paris, je t'aime.



As razões pelas quais eu gosto de Paris talvez sejam devido à influência da minha mãe, que sempre teve admiração pela língua e pela 'chanson française', ou devido ao meu interesse pela cultura francesa despertado pela histórias que escutava quando criança sobre os três mosqueteiros. Bom, o meu interesse pela França, como um todo, pode também ter sido iniciado por um motivo menos glamouroso: através da leitura dos grosseiros e comilões Asterix e Obelix.

Embora eu seja apaixonado por Paris e acreditar que esta cidade possui mais adjetivos do que qualquer outra cidade, a verdade é que Paris, como qualquer grande cidade não é fácil. Há incontáveis pontos negativos: mau humor, abarrotada de turistas, mendigos (sim, há muitos), ladrões, sujeira na rua etc.

Comparando com um relacionamento humano, Paris é uma mulher linda, maravilhosa, cheia de conteúdo e empatia, mas mimada, que pode ser fria e que, sem dúvida, gosta de discutir relacionamento.

Talvez para gostar de Paris precise conhecer um pouco da cultura francesa para conseguir enxergar as diversas belezas escondidas pela cidade. Entender os trocadilhos, os deboches e 'mau-humores' parisienses. Gastar com os mimos que a cidade exige. Enfim, por essas e outras, eu concordo que Paris não é uma unanimidade... É uma cidade para poucos.

É... Talvez, se eu morasse em Paris, viesse a mudar minha opinião, pois deixaria de olhá-la como uma oportunidade e sim como uma rotina. Mas, sinceramente, acho que não. Acho que é a única cidade que quando ouço alguém dizendo que está indo para lá, eu penso: "que sortudo!".

É... Fora a beleza da arquitetura da cidade - os prédios parecem casinhas de boneca; dos extensos museus; das ilhas no meio do Sena; do ir e vir dos franceses entediados repetindo "beuf"; Paris tem de brinde toda aquela gastronomia que só um grande centro tem.

Tive a oportunidade de retornar a Paris duas vezes recentemente durante as minhas conexões para o sudeste da Ásia. Tentei fazer uma lista de restaurantes que já conhecia ou que queria conhecer. Tive ajuda de muitos: de amigos, guias, blogs, etc. Mas, como um amigo meu me disse, Paris é tão "overloaded" de bons restaurantes que é difícil.

Aliás, antes de falar sobre alguns restaurantes de Paris, vale a pena repetir que há tantos bons restaurantes em Paris que talvez nem valha a pena ler indicação de restaurantes em nenhum guia/blog... É... É isso mesmo. Talvez você tenha mais felicidades no bistrôt apertado, meio feiozinho, que há na esquina da rua do seu hotel, do que em um restaurante estrelado. Isso é uma das oportunidades que Paris oferece: aquela fromagerie maravilhosa, ao lado de uma boulangerie, é uma ótima oportunidade para fazer um pic nic, simples e despojado em uma das ilhas do Sena (não esquecer de levar uma boteille de vinho); provar uma daquelas maravilhoas ostras no inverno ou tropeçar em uma carrocinha de crepe em uma das esquinas da Rue de Rivoli. Ah, por favor, um dos maiores crimes que existe é ir a um Mc Donalds em Paris. Por favor... Vá a uma carrocinha de crepe, mas não vá ao Mc Donalds.

Mas vamos lá: vou escrever uma lista com os restaurantes que eu mais gostei, de um modo rápido e sorrateiro.

Chez Janou próximo da Place de Vosges, no bairro do Marais, fica localizado em uma rua que muitos mapas não identificam. Talvez por isso seja o motivo que esteja lotado de parisienses e com poucos turistas - ao menos no dia que estive por lá.



Típico bistrot com atendimento bem atencioso e comida gostosa: comi um magret de canard com alecrim e batata sauté. Sensacional.



De sobremesa, fechamos com uma torta de limão sensacional.



Esse restaurante tem um ótimo custo benefício.

L'Opéra Resaturant Dentro do teatro Opéra Garnier, este restaurante foi inaugurado recentemente e já é um sucesso. Localização privilegiada e com uns janelões bem bonitos. Serve comida contemporânea. Um salmão de entrada acompanhado por um sorbet de mostarda que é sensacional. É mais elegante que os bistrôs tradicionais e também um pouco mais caro. Também lota de executivos na hora o almoço; assim, é bom reservar.






Tokyo Eat Localizado em uma entrada em anexo ao Palais de Tokyo, é também uma oportunidade para conhecer esse museu. Infelizmente, quando fomos lá, ele estava fechado e só abrirá em abril/2012. O restaurante é super descontraído, também lota e a comida também é contemporânea. A comida é legal, mas nada demais. Lembro que comi uma entrada de alho poró com burrata (boa).



Como principal, um steak tartare razoável.



A torta de baunilha com três níveis (e texturas diferentes) de baunilha é, para quem gosta, um espetáculo.



Destaque para o clima de loft americano da decoração do restaurante e para os banheiros no 2º andar que possui vasos sanitários Large, Medium e small sizes.



Bem próximo do Tokyo Eat, fica o Chez Carette: uma casa de chá e patissérie, sensacional. Reparei que muitos almoçam lá. Fui lá por indicação da Dri Everywhere, mas dois amigos meus franceses também conheciam e falavam bem. O macarron de lá, sem dúvida, é um diferencial. O da Ladurée é muito bom, é verdade, mas esse é superior: muito recheio.



Olha, eu gostei tanto que voltei ao Chez Carette. Comprei mais macarrons para trazer de presentes e aproveitei para provar o mil folhas de lá - confesso que não gostei muito do mil folhas. Achei a massa bem pesada.

Dos restaurantes que não fui mas que eu sempre quero voltar:

1) Chez Paul - não estou me referindo a boulangerie Paul. Esse é um bistrot clássico localizado na Bastille.

2) Restaurant Le Georges localizado no terraço do Centre Pompidou além de ter uma vista linda tem uma excelente comida.

Fica no terraço do Centro Pompidou.

3) Kong Restaurante do Sex and The City. Muitos falam que a comida não é mais a mesma e, de tão badalado, sobrevive pela fama. Mas só acredito vendo. Até porque o restautrante é lindo, de frente para a Pont Neuf.

4) Café l'Esplanade Restaurante dos onipresentes imãos Costes, é super simpático, e de comida muito boa.

5) Buddah Bar Esse restaurante-franquia é demais. Já fui três vezes e sempre me surpreendo com o ambiente/comida.

Além destes, montei uma lista de alguns que quis ir mas não deu:

1) Le Comptoir du Relais Muito indicado pelo amigo do blog, que já até escreveu por aqui sobre cervejas, Alexandre Moreira, e também indicado pelo guia Michelin. Imagino que deva ser fantástico.

2) Benoit É o bistrôt do Alain Ducasse. Não preciso dizer mais nada, né? Também ficou para uma próxima.

3) Le Chateaubriand Me foi muito bem recomendado.

4) Cristal Room Baccarat Esse restaurante é localizado dentro do museu Baccarat. Fui já no Baccarat Museu 2 vezes. É bem pequenino, mas muito legal. Mostra os diversos objetos de cristais, como copos e vasos, usados em diversos momentos da história: o coroamento da rainha Elizabeth, os cristais do Papa João Paulo, o presente do sultão no casamento do príncipe Charles, etc.

Neste mesmo lugar, há um restaurante que pelo que soube é lindo e serve uma excelente comida.

Como sou tarado por trufas tive duas dicas: La Maison de la Truffe e La Truffière. Passei na frente dos dois, e cheguei a reservar um deles. Mas não deu também.


Falando em restaurantes que gostaria de ir, preciso também relatar a minha vontade de conhecer a região da Borgonha - o meu roteiro seria de Dijon até Lyon, ficando alguns dias em Beaune. Beaune está localizado no coração da sub-região conhecida como Côte d'Or. Por motivos pessoais, pensei em cancelar a minha viagem para o sudeste asiático e viajar para essa região, em janeiro passado. Trocando algumas mensagens com a Lina, do blog Conexão Paris, ela me garantiu que para quem gosta da boa gastronomia essa região é o que há! Fica para uma próxima viagem...

Aliás, não existe blog melhor para saber o que está acontecendo em Paris do que o Conexão Paris. E também há várias dicas sobre viagens para cidades de toda a França.

Chega, né? Mas, por fim, eu ainda posso me gabar dizendo com orgulho que bebi vinho nacional a um preço barato e de qualidade...

Bom, por essas e outras que Paris sempre será Paris. Como disse antes: Paris oferece muitas oportunidades. E realmente fico triste e chego a desconfiar das pessoas que dizem que não gostaram de Paris em suas viagens... Se é verdade verdadeira que não gostaram de Paris, só fico triste por essas pessoas por um motivo: nunca poderão dizer "we'll always have Paris."


Beijos e abraços,


ps. Uma última dica: sempre reserve os restaurantes antes de viajar. É mais fácil não ir depois de ter reservado, do que ir sem reserva.


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@viverparacomer

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

L'Entrecôte d'Olivier

Amigos e amigas,

Nunca gostei do Olivier Anquier. Nunca. Lembro dele se lançando como padeiro - isso tem uns 20 anos. Começou a fazer sucesso e eu, garoto, ainda no colégio, comecei a vê-lo nos programas de culinária. Tentava entender o que ele dizia sobre uma receita secreta "da minha família", de um pão europeu, mais especificamente, de um pão francês.



Naquela época o meu francês era bem ruinzinho, mas já falava algumas sentenças... Achava engraçado como ele pronunciava as palavras. O sotaque dele era mais carregado e tudo mais. Mas, mesmo ainda garoto, algo me parecia que não soava bem.



Hoje, sem dúvida, amadureci fugindo dos programas do Olivier. Hoje em dia, ele aparece em um programa da GNT, com um fusca azul, visitando diversas cidades do interior do Brasil e do mundo. Confesso que tem uns programas que, mesmo não gostando, olho de rabo de olho, pois os lugares são fantásticos. Eventualmente acabo vendo o programa do Olivier. Sinto que ele tem a pretensão de ser um Anthony Bourdain "franco-tupiniquim", apresentando para nós, brasileiros, a diversidade maravilhosa da comida da nossa própria terra.

Não acredito que o Anthony Bourdain seja um grande chef de cozinha, mas talvez o que falte ao Anquier seja a espontaniedade ácida - e até humana - que há de sobra no Bourdain. Em outras palavras, mais sinceridade e menos caras e bocas - por que é que ele fala o tempo todo "up"?

Mas, vamos lá: depois de anos e anos fazendo o papel de bom moço, ele não poderia mudar de "posição", não é mesmo? O Anquier nos dias de hoje faz comercial de TV para as senhoras que tem prisão de ventre. É sério. Ele é o garoto propaganda " gente boa" das senhoras. É difícil construir essa imagem...



Mas por que eu escrevi tantas coisas sobre o Anquier? Olha, talvez seja o tal do preconceito. Por não acreditar no Anquier, resisti algumas vezes a ir ao seu restaurante, nas diversas vezes que estive em SP. Em meu twitter recebi alguns tweets falando bem do seu bistrô localizado no Jardim Paulista - ao lado do clube Pinheiros - cujo nome é L'Entrecôte d'Olivier. Mas resistia. Quando percebi que só havia um prato, resolvi resistir mais e mais - é isso mesmo, o restaurante dele só serve um prato. Um entrecôte (um contrafilet) sob um molho secreto (olha aí, de novo estas estórias de secreto) da tia dele (se não me engano Nicolle), com batatas fritas crocantes e sequinhas.

Fui lá. E olha... Eu adorei.

O restaurante é bem decorado - bem mais do que eu esperava para um bistrot, que só serve um prato. Quando chegamos havia uma fila na porta que a atendente dizia que demorava cerca de 30 minutos. Mas, esperamos, se muito, 20 minutos.

Ficamos em um bar bem claro, aguardando que nossa mesa ficasse pronta. Enquanto aguardávamos, experimentei uma sakerinha de tangerina com gengibre e cravo. Um aperitivo e tanto, hein? Muito bem preparada, degustei com vontade para dilacerar qualquer resquício de preconceito contra o restaurante que ainda me restava.

Antes do prato prinipal, é servido uma salada verde excepcionalmente bem temperada, com alguns toques de nozes. Ah, o pão servido no couvert - que consiste em apenas pão e manteiga - me agradou muito. Tem aquela casca dura e é excelente com uma manteiga. Pensei: "será que de fato ele foi um bom padeiro no passado?"


Prato principal: entrecote macio e saboroso é servido com esse tal molho secreto da tia Nicolle. Eu arriscaria que esse molho é feito a base de fígado, pois tem ligeiramente um gosto agradável de paté. Mas como é secreto eu não posso ter certeza... Também fiquei com dúvida se a carne servida era de fato um entrecôte... Acho que era um filet mignon - macio, sem gorduras.

A batata frita é a vontade: de minutos em minutos uma garçonete aparece com uma travessa e oferece "aceita um pouco mais de batata? Ela está quentinha..." Uma delícia.


Pra finalizar, pedimos para arrebentar a boca do balão uma mousse de chocolate. Essa mousse é bem consistente, aerada e não muito doce - de modo que é impossível se enjoar dela.

O restaurante fica na esquina com a rua Tucumã e de sua porta é possível avistar um pessoal em uma das piscinas do clube Pinheiro. Depois do almoço, ainda dá para dar uma caminhada até o shopping Iguatemi que também está bem próximo da casa do Olivier.

Olha, preciso admitir que se não sou fã dos programas do Olivier, ao menos do seu restaurante de apenas um prato, me tornei grande fã. Depois de tantos elogios ao L'entrecôte d'Olivier preciso dizer: realmente não é preconceito contra ele - apenas uma questão de gosto. E "vive la difference!"

Beijos e abraços,

Twitter
@viverparacomer


L'Entrecôte d'Olivier
Rua Doutor Mario Ferraz, 17 - Jardim Europa.
Tel.: (11) 3034-5324

Quem sou eu

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Olá, sou carioca e um grande apreciador de um bom prato. Com este intuito, tentarei escrever as minhas impressões sobre os restaurantes em que eu vier a comer - descrevendo qualidades e defeitos de cada um. Caso tenha o interesse de complementar as minhas opiniões, por favor, não deixe de contribuir. Restaurantes bons devem ser vangloriados, enquanto restaurantes ruins devem ser evitados. Não concorda? Então, vamos lá... Mãos ao garfo!