De todos os blogs gastronômicos que eu leio (não são muitos), o que eu mais gosto de ler é o blog do Alhos, Passas & Maçãs. Além dele escrever com arte - em alguns momentos, ele faz versos em prosa -, o autor possui um conhecimento de gastronomia impressionante, que não apenas avalia o estabelecimento, como educa o leitor. Eu aprendo muito com ele.
Apesar do lirismo do texto e do conhecimento gastronômico do Alhos, eu eventualmente discordo de algumas de suas avaliações. E o cutuco, mas ele, sempre elegantemente, me responde como deveria... Às vezes com um: "gosto não se discute", outras com um: "a cozinha deles melhorou depois da mudança de gestão".
Um restaurante que ele sempre elogiou muito, em diversos posts, foi o AK. Lembro que li um post dele "No Instante da Partida" que me tocou muito e, ao mesmo tempo, percebi, para a minha tristeza, que não poderia mais conhecer o AK Delicatessen, pois ele já havia fechado as portas em seu antigo endereço.
No entanto, dias depois dessa minha leitura, descobri que o AK já tinha sido reaberto, mas em outra localidade. E agora se chamava AK Vila. Tempos mais tarde, Andrea Kaufmann, a chef, me adicionou no instagram - me fazendo lembrar que eu não podia deixar de visitar o estabelecimento que o Alhos sempre havia ressaltado. Aliás, imagino que as iniciais da chef sejam a razão pela qual o restaurante se chame AK.
Estava em SP em um fim de semana de provações, quando falei com a Carol, que me acompanhava: "hoje a gente vai à Vila Madalena conhecer e almoçar no AK". Ela até me perguntou: "mas que comida se serve lá?". Também não sabia direito... Achava que a chef tinha uma predileção por pratos judaicos. Mas também não tinha certeza. A minha argumentação para convencer a Carol era de que era "uma recomendação do Alhos" - de quem ela também é fã.

Já tinha ido à Vila Madalena, mas muito en passant. De qualquer forma, nunca em um domingo de sol. E nunca naquela altura da Fradique Coutinho, em que o AK Vila se encontra.
Foram gratas surpresas. Domingo tem uma feirinha de rua muito legal. Tinha até umas bandas se apresentando - nenhum som alto que incomodasse, nem nada. Um clima descontraído que me fez lembrar algumas ruas do RJ. Me senti em casa - ou seja, no próprio RJ. Digo isso por milhões de motivos: pelo momento que passava; por ir e buscar sempre uma SP sofisticada e elegante, mas ao mesmo tempo fria e artificial; e pelo astral da rua, especialmente naquele dia.
Verdade verdadeira, quando cheguei ao restaurante tive a mesma sensação. Um clima leve, com o restaurante super iluminado por luz natural, um atendimento descontraído mas, ao mesmo tempo, sério e eficiente. E a chef... Ia de mesa em mesa falar com amigos/frequentadores assíduos, como se todos fossem convidados da sua casa. Ela não chegou até a minha mesa, mas demonstrou a importância do contato descontraído que o chef, como grande criador, deve (ou deveria ter) com os seus clientes - que são os principais ativos de qualquer comerciante.
No tocante à comida, tudo que comemos estava divino, sem muita firulisse que maquiasse o que mais esperamos em um bom prato: o sabor.
O ceviche de entrada temperado com romã: divino e, para mim, super original. Uma outra entrada muito boa que comemos foi a burrata temperada com tomate e pão sírio.
Como pratos principais, eu comi lulas provençais na chapa acompanhado de quiabos grelhados também. Lembro que, após o meu check-in no foursquare, li a seguinte dica: "respeite o restaurante que serve quiabo". É verdade. Precisa-se respeitar.
A Carol pediu um bife ancho acompanhado com farofa. Ela adorou. E como ela é muito mais exigente do que eu, isso é mais do que suficiente para dizer que devia estar excelente.
Finalizamos com duas sobremesas com tons de doces caseiros: 1) morango com chantilly; e 2) pudim de leite com doce de leite. A primeira sobremesa é para quem gosta de doce não tão doce - que é o meu caso. E a segunda, para quem gosta de doce mais açucarado, como é o gosto da Carol.
Bom, se eu gostei? Se a comida é maravilhosa, o serviço é excelente e se o ambiente é agradabilíssimo... por que não iria ter gostado?

Mas, preciso confessar: fiquei com medo de não gostar. Se viesse a me decepcionar com o restaurante, talvez não só teria ficado decepcionado com mais um restaurante em minha vida, como também com o meu blog gastronômico favorito. Muito provavelmente perderia a confiança e possivelmente deixaria de lê-lo com tanta frequência - um blog que tanto ensina e que tanto me estimula a escrever. Talvez esse seja o maior problema que a gente tem em relação a dicas e indicações... Expectativas!
Mas as expectativas foram atendidas e gostei tanto que não vejo a hora de voltar a São Paulo para poder retornar à casa. Não só para degustar as novas invenções - que acompanho pelo instagram -, como também para me sentir mais em casa. Mesmo em São Paulo.
Beijos e abraços,
@viverparacomer
AK Vila
Rua Fradique Coutinho, 1.240 - Vila Madalena.
Tel.: (11) 3231-4496