domingo, 29 de setembro de 2013

Colorindo a sua vida ... Búzios

Amigos e amigas,

depois de praticamente 3 finais de semanas consecutivos indo à Búzios eu não posso deixar de fazer um post sobre a cidade que encantou a Brigitte Bardot.

Praia vazia e mata virgem: cada vez mais raro

É... Na verdade, tenho certeza que a Brigitte Bardot não visitaria Búzios nas atuais condições: extremamente explorada, muitas casas e pousadas e um trânsito infernal até chegar a cidade. Em média se está levando mais de 3 h meia para ir e voltar de Búzios. Teve uma das idas que cheguei a demorar 4 h e meia, devido a diversas obras na estrada e do excesso de carro.

Melhor pastel de camarão: Bar do Pescador

Mas o excesso de gente nesse balneário famoso todos os finais de semana trouxe uma urbanização e uma ampliação do centro comercial da cidade. Em termos de restaurantes, além dos restaus da rua das pedras/orla Bardot, há diversos 'polos' gastronômicos.

Cerveja de frente para o mar

O polo gastronômico de Manguinhos está cada vez mais estruturado. Diversos restaurantes já puseram o 'pé no mangue', como o Quadrucci, pizzarias e trattorias... Até asiático já tem por lá. É possível ver o por do Sol bebendo champagne no Anexo de Búzios, ou bebendo uma bela cerveja no célebre Bar dos Pescadores.

Aliás o Bar dos Pescadores está cada vez melhor, com um bom atendimento, ele serve um pastel de camarão sensacional. Além do pastel, há diversas opções... A moqueca pescador é divina.

Na última das viagens, fui em um restaurante em Geribá que não conhecia, mas que não é recente: Gisele. Localizado em uma casa bem agradável, juntamente na estrada principal, fui informado que a proprietária administrava o Bar dos Pescadores antes do incêndio que revitalizou todo o polo de Manguinhos.

Moqueca Pesacador: do Bar do Pescador

O cardápio é bem diverso, mas há também peixes e frutos do mar. Comi um pastel de queijo sensacional, e 'fomos' de moqueca de camarão - maravilhosa e era super bem servida. Vale muito a pena.

Uma outra dica é uma casa de empanadas, bem simples que serve uma empanada maravilhosa: "La Empanaderia". Fica na beira da rua principal, entre a entrada principal de Geribá (posto de gasolina) e o polo gastronômico de Manguinhos.  A massa é leve, e os recheios são divinos: milho, carne apimentada, camarão. Vale a pena provar essas iguarias 'hermanas' em solo buziano.

Sem dúvida, Búzios tem uma beleza inigualável. Só não sei se o crescimento desenfreado vai conseguir manter a beleza  natural que ela sempre teve. Nem sei se o excesso de gente e de carros manterá a áurea de cidade 'roots' de praia. Mas sempre volto de Búzios com um sentimento de prazer. Principalmente depois de almoçar alguma coisa bem gostosa! ;)


Beijos e abraços,

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Bar dos Pescadores
Av. José Ribeiro Dantas, 2900 - Manguinhos - Búzios
Tel.: (22) 2623-6785.

Gisele
Av. José Ribeiro Dantas, 5100 - Bosque de Geribá - Búzios
Tel.: (22) 2623-1144.

La Empanaderia
Av. José Ribeiro Dantas, 3056 - Manguinhos - Búzios
Tel.: (22) 9825-8608.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Tragga, uma boa comida

Amigos e amigas,

há cerca de uns dois meses vi que havia inaugurado um restaurante especializado em carnes argentinas no complexo gastronômico de Botafogo: Tragga. Por fora, muito bonito, prova que o empresariado está investindo pesado nesta velha fronteira gastronômica.

Com todos esses elementos, resolvemos visitar a casa há mais ou menos 15 dias atrás.

Ficamos em uma mesa no segundo andar, em uma quina, bem difícil de ver o resto do restaurante. Só de existir essa mesa já mostra que a casa não está tão preocupada com o atendimento aos clientes.

"Encontros e desencontros" com o garçom: essa foi a tônica do almoço. Mas não vou falar mais sobre isso, pois a casa tem pouco tempo.

O que eu quero destacar é a comida, que foi divina.

Provolone derretido
com lascas de pimenta calabresa

Como entrada, provolone derretido, temperado com orégano e azeite, e uma empanada de carne com ovo e azeitona. O provolone estava sensacional.

Melhor que as entradas estava a carne: bife ancho muito saboroso, ao ponto. As meninas, que me acompanhavam, comeram um ojo de bife que também adoraram. Acompanharam a esse festa carnívora um arroz maluco "parrileiro", juntamente com fritas ao alho.

Bife Ancho saboroso

Há tempos eu não comia uma carne tão saborosa.

De sobremesa, pedi um uma panqueca com doce de leite: super bem servido, achei que não iria conseguir comer tudo. Mas o doce de leite estava tão viciante que acabei rapidamente.

Festival de dulce de leche

Se o serviço foi marcado por confusões, a comida superou todas as expectativas.


Beijos e abraços,

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Tragga
Rua Capitão Salomão, 74 - Humaitá, RJ
Tel.: (21) 3507-2235.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Garoa Paulistana

Amigos e amigas,

com ajuda do Papa, fugi do Rio de Janeiro em meio à semana da JMJ. Destino: SP.

Nessa minha rápida passada pela terra da garoa, posso dizer que nunca senti tanto frio. Mas, como ir a SP sempre nos proporciona atrativos gastronômicos, não pude deixar de aproveitar o passeio, que narro agora em pequenos tópicos.

Varanda Grill

Sem dúvida, essa é a churrascaria que eu mais gosto. Sempre acho um tempo para retornar a casa. E, como sempre, não desapontou: uma das melhores picanhas que já provei na minha vida. Acompanhou uma batata souflé e um arroz biro-biro - o maître, extremamente simpático, nos explicou que o biro biro paulista é equivalente ao arroz maluco carioca. Uma delícia. O Varanda Grill sempre ganha o melhor restaurante de carnes dos jurados da Vejinha SP.

Baccio di Latte

Saímos direto do restaurante para tomar um dos melhores sorvetes brasileiros (os donos insistem em dizer que não é sorvete, e sim gelato). Quem estiver em SP não pode deixar de provar os sabores oferecidos pelo Bacio di Latte. Figo, pistache e o próprio baccio di latte são os meus melhores.

Tentação no copo.

Delícias na vitrine.


Mercadinho Dalva e Dito

Bem próximo ao Baccio di Latte do Jardins, há o restaurante Dalva e Dito, que já comentei aqui. Não sou fã do restaurante, mas como tinha escutado que havia aberto um mercadinho lá, fui dar um confere. Não resisti e comprei, para fazer uma "merendinha noturna", um pão de calabresa. Adorei. Não é melhor que o pão da casa da Stravaganze, mas é muito bom.

Peixaria Bar e Venda

A noite fomos a um bar novo, localizado na Vila Madalena, que é uma peixaria (!?).

Bom, o serviço fluiu de ligeiramente arrogante ("se tiver mesa, tem lá do outro lado. Ma você tem que ir porque eu não sei") a bom. Tomamos umas boas caipirinhas e comemos bons pastéis de camarão.
Caipirinha de tangerina com pimenta e gengibre.

Com uma decoração lúdica, até porque é uma peixaria também, nos divertimos. Se você não tiver problemas com peixe, é possível que goste.

Subastor

Após sermos expulsos da Peixaria Bar e Venda, pois a casa fechou cedo, fomos ao Subastor (subsolo do bar Astor). O Astor tem filial aqui no RJ e a de SP, também localizada na Vila Madalena, é bem legal também.

Gin tônica: Hendricks com pepino.

O ambiente é meio jazzístico e é bom chegar cedo, pois forma uma grande fila na entrada. Bons drinks e boa comida, como usual. Destaque para a deliciosa combinação de gin hendricks com pepino: dá um sabor diferenciado.

Josephine

Após um belo passeio no Ibirapuera - sou fã do parque e, em especial, da praça do Porquinho - fomos ao restaurante Josephine da Vila Nova Conceição. O mix de bruschetas estavam gostosas e ponto.

Magret com risoto: não valeu!

Mas o meu prato decepcionou, assim como os pratos dos comensais que me acompanhavam. Serviço desleixado e clientes ligeiramente afetados fazem do lugar uma combinação perigosa. Com um cardápio enorme, o restaurante talvez seja mais adequado para lanches, ao invés de refeições propriamente.

Hamburgueria Nacional

Recentemente publiquei esse post sobre a Hamburgueria Nacional.

Como gostamos muito da nossa última experiência na casa, resolvemos fechar a viagem nos hambúrgueres da casa.

Vale comentar que eu nunca vi tanto carioca disfarçado de paulistano durante essa viagem.  Em uma grande mesa ao lado da nossa, um grupo se destacava com vestimentas, trejeitos e até com a forma clássica de falar do paulistano ("Então"). O que denunciou o grupo foi o sotaque, adicionado com um "volto amanhã pro Rio!" ao telefone.

Esse fenômeno é curioso e talvez mostre que, ao invés das antigas rixas, Rio de Janeiro e São Paulo estão se tornando cada vez mais cidades complementares, comungando de uma cultura cosmopolita própria. Ainda em formação, mas única e diferente de outros regionalismos brasileiros.
É... O serviço, dessa vez, atrapalhou.


Talvez seja por isso que tenhamos presenciado, na casa, um serviço tão ruim, que não se diferencia em nada do mal atendimento prestado por diversos restaurantes cariocas.


Apesar da batata frita e o milk shake estarem divinos, um hambúrguer 'ao ponto' veio quase 'bem passado' e outros dois, que foram pedidos também 'ao ponto', vieram totalmente 'mal passados' (nível steak tartare).
Regras são regras.


Ao solicitar para passar mais o hambúrguer que veio 'mal passado', a luta começou: "mas esse é o 'ao ponto' da casa". Após informar ao garçom, pela terceira vez, que queríamos que fosse levado o hambúrguer para a grelha novamente e torná-lo mais 'bem passado', o garçom se conformou. Levou, finalmente, para a grelha.

Não sem antes reafirmar, pela última vez: "ó...  Mas esse é o 'ao ponto' da casa".

Okay.

Já estávamos de volta ao Rio e não sabíamos.


Beijos e abraços,


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Varanda Grill
Rua General Mena Barreto, 793 - Jardim Paulista, SP
Tel.: (11) 3887-8870


Baccio di Latte
Rua Oscar Freire, 136 - Cerqueira César, SP
Tel.: (11) 3662-2573


Dalva e Dito
Rua Padre João Manoel, 1.115 - Cerqueira César, SP
Tel.: (11) 3068-4444


Pexaria Bar e Venda
Rua Inácio Pereira da Rocha, 112 - Vila Madalena, SP
Tel.: (11) 2589-3963


Subastor
Rua Delfina, 163 - Vila Madalena, SP
Tel.: (11) 3815-1364


Hambugueria Nacional
Rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, 882 - Itaim Bibi, SP
Tel.: (11) 3073-0428.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Um outro molho no Centro do RJ

Amigos e amigas,

em tempo de JMJ, de caos total no Centro do RJ, decidi visitar o Demi-Glace da rua do México.

A última vez que tinha ido no Demi-Glace tinha sido na sua nova filial da rua do Lavradio. Lembro que o maître da casa veio me perguntar o que eu tinha achado. Relatei que na matriz as porções eram bem mais servidas. Depois disso nunca mais voltei. Nem na matriz e nem na filial.

Fui totalmente certo que seria bem servido, pois a matriz nunca havia me decepcionado. A minha dúvida era se os peregrinos da JMJ teriam ocupados todas as mesas antes de eu chegar.

Para a minha sorte, havia bastante lugares.

A comida estava divina: um couvert de se satisfazer sem ter e necessidade de pedir um prato. Além de boa cesta de pães, uma pastinha de azeitona e uma salada caprese, de entradinha, deliciosa.

Pedi, como sempre peço na casa, frango crocante com risoto de funghi. Vem ainda uma saladinha.


O frango crocante do Demi-Glace é empanado sobre uma base de mostarda - o que dá um gosto bem especial.

O risoto, super bem servido, tem bastante sabor. Não segue fielmente a nenhuma receita italiana, mas acredito que agrada a grande maioria dos comensais.

Foi um ótimo almoço e em meio a balbúrdia que tomou conta do RJ, em especial ao Centro, vivi um momento agradável em um oásis.

Beijos e abraços,

  
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Demi-Glace
Rua México, 168 - Centro, RJ
Tel.: (21) 2240-4255.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Revelando Bons Segredos de um Jardim

Amigos e amigas,

Fui no último fim de semana a Penedo - pequeno vilarejo, ao lado da cidade de Resende.

A vista da janela.

Vilarejo de tradições Filandesas, não visitava Penedo desde 1991 em um passeio com a turma da escola.

Da minha lembrança para o que eu vi, foi uma cidade com uma movimentação impressionante para um simples fim de semana, sem feriado ou qualquer data especial.

Lembrava de um clube com tradições filandesas que não reconheci em nenhum canto da cidade - a não ser no centrinho onde fica a 'Casa do Papai Noel'.

Tínhamos diversas indicações de restaurantes e, dentre as opções, acabamos escolhendo o Jardim Secreto - que, segundo amigos que moram na região, é o melhor restaurante de Penedo.

Contrariando a oferta da região: Salmão.

Chegamos lá depois de um rápido passeio pelo centrinho. A casa fica localizada após passar o centro principal e continuar alguns metros além. A casa onde o restaurante é estabelecido fica acima de um aclive, o que proporciona uma vista para uma bela floresta. O restaurante é bem lúdico e possui um belo jardim, onde diversos passarinhos fora da gaiola transitam pelas árvores e por um suporte construído que oferece diversas frutas para atraí-los propositalmente.

Belo Crorizo, acompanhado de chimichurri.

Chegamos e fomos recebidos com uma bela caipirinha de abacaxi. A pergunta inicial foi "de cachaça ou de vodka?". Essa pergunta me remete a uma grande questão que perdurou pela minha vida: sempre preferia vodka, por achar que cachaça deixava um hálito duvidoso. Hoje acredito ter superado esse trauma e sempre prefiro, em qualquer ocasião, beber cachaça à vodka. Não é discurso ufanista. Apenas a preferência pelo sabor.

A carne é fraca: Paulaner para reforçá-la.

Após um ótimo drink de boas vindas, aproveitamos freneticamente o couvert servido: ótimos pães, uma geléia de tomate saborosa, uma pastinha de truta deliciosa e um azeite super perfumado. Foi servido também um sal grosso temperado.

Tem couvert que vale a pena - esse, sem dúvida, não deve ser desperdiçado.

Gostoso, porém gelado.

Como prato principal, eu pedi chorizo com batatas coradas. Carol, que queria pedir truta por ser uma das especialidades da região, acabou pedindo um salmão com paglia e fieno. Tudo de bom grado.

A sobremesa foi um pecado. O creme brulée ácido, à base de limão, nos pareceu recém saído da geladeira. Mas, mesmo frio, não incomodou.

Se Penedo não correspondeu às minhas antigas lembranças, o Jardim Secreto foi uma ótima revelação.

Beijos e abraços,


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Jardim Secreto
Avenida das Três Cachoeiras, 3.899 - Penedo, Itatiaia
Tel.: (24) 3351-2516

domingo, 23 de junho de 2013

Feijoada Alemã

Amigos e amigas,

recentemente fui duas vezes no Adega do Pimenta  da praça Tiradentes, no centro. A casa tem uma carta de cerveja de dar inveja; e a cozinha, alemã, tem umas inovações interessantes.

Fomos em uma sexta feira onde no centro há diversos restaurantes oferecendo feijoadas. Ao entrarmos na casa descobrimos que havia uma feijoada alemã - o que despertou o interesse dos comensais que compunham o nosso grupo.

Pedimos de entrada uma linguiça da diretoria - que é uma salsicha alemã, bastante apimentada. Todos gostaram.

A feijoada alemã consiste em uma feijoada de feijão branco com kassler, diversos tipos de salsicha e algumas coisas a mais. Vinha acompanhando arroz branco e uma farofa com cebola.

Essa feijoada foi surpreendente: não tem nada a ver com a nossa feijoada tradicional, mas agradou muito. Depois fiquei pensando se há em algum canto da Alemanha essa feijoada ou foi mais uma invencionisse da casa. 

Quatro dias depois voltamos lá e fomos no tradicional joelho de porco. Já relatei aqui a minha primeira experiência com joelho de porco que comi na casa em minha primeira ida ao Adega do Pimenta. Na época havia comido um joelho de porco defumado.

Einsbeein: Joelho de Porco super crispy

Dessa vez pedimos o joelho de porco grelhado, que não minha opinião é bem mais gostoso e interessante: fica super crispy no entorno. É sem dúvida bem gorduroso, mas bem saboroso.

O serviço é eficiente e a casa lota com facilidade nas sextas, o que é recomendável chegar cedo.

Fica a dica.

Beijos e abraços,


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Adega do Pimenta
Praça Tiradentes, 6 - Centro
Tel.: (21) 2507-5293.

sábado, 15 de junho de 2013

Os Pacientes Cariocas


Amigos e amigas,

recentemente eu li duas reportagens aparentemente antagônicas:

1) A Fala da Comida

Carlos Alberto Dória realiza uma excelente entrevista com Daniel Redondo e Helena Rizzo (chefs e donos do Maní) , no caderno Ilustríssma da Folha de SP, na matéria intitulada A Fala da Comida

Na introdução, Carlos Alberto escreve que a "gastronomia ganha contornos de 'sistema' cultural análago ao da moda".

Verdade, principalmente se considerarmos o apelo do fenômeno gastronômico em todo o globo.

Anthony Bourdain confirma essa tese em seu último livro "Ao Ponto" (Medium Raw). Descreve que hoje há um reverenciamento aos chefs que jamais existiu. Como exemplo, ele afirma que hoje os adolescentes norte americanos conhecem o nome de todos os chefs famosos, e não sabem o nome de todos os integrantes da sua banda preferida.

Cozinhar deixou de ser um simples ato artesanal e, assim como na alta costura, "criou" uma legião de seguidores para determinado restaurante/chef.


2) Um Rio de Serviços Ruins

Com ar de denúncia ao povo carioca, Gilberto Scofield Jr relata no O Globo, em sua coluna semanal, Um Rio de Serviços Ruins; sobre as durezas de ser mal atendido no RJ.

Gilberto é muito feliz ao escrever o artigo e não restringe o problema a serviços em restaurantes.

Ele ainda destaca no início do texto que os "serviços no Rio são caríssimos e inexplicavelmente ordinários."

Depois de ler ambos os artigos, eu tive uma constatação empirica que me fez pensar sobre as duas reportagens.

3) Salitre, sábado - 08/06

Sábado passado fui ao Salitre - restaurante que se vangloria dos vinhos que oferece. Localizado na rua Barão da Torre, em Ipanema, possui uma bela varanda e é muito calmo.

Já fui algumas vezes lá antes, com algumas boas experiências.

Chegando lá, vimos que o cardápio havia mudado - não apenas os preços, mas diversos pratos novos haviam sido adicionados e outros excluídos.

Perguntando ao garçom que nos atendia sobre alguns pratos antigos, ele alegou que o novo chef havia reformulado todo o cardápio.

Como relatado na entrevista de Carlos Alberto Dória, falar, hoje em dia, em nome de uma entidade como o chef, é sinal mais do que natural: se o chef muda tudo, o cliente deve aceitar, pois a mente criadora do chef vale mais do que a vontade do cliente.

"Okay. Vamos ver se vale a pena." Pensei.

De entrada pedi um clássico da casa: bruschetta de presunto cru, brie, rúcula e mel. Outrora era muito boa e, inclusive, emoldura esse blog no topo (na época, eles a serviam com vinagre balsámico e alecrim).

Infelizmente, não veio com o capricho usual. Mas nada que valesse especificar. Apenas não veio com a emoção esperada.

Em sequência, pedimos os nossos pratos: fraldinha grelhada, para mim, com legumes ao provençal. Carol, a testemunha eterna do meu humor em (bons e maus) restaurantes, pediu o peixe do dia com soufflé de legumes.

Aliás vale a pena comentar sobre o peixe do dia: o primeiro garçom que apareceu informou que era badejo. Um segundo voltou e afirmou categoricamente que era dourado. Mas acabou ficando na dúvida por termos afirmado que o outro garçom nos havia dito que era badejo.

Voltou e retificou: tilápia. (Bom, ao menos não usou estrangeirismo em chamá-lo de San Pietro/Saint Pierre etc).

O restaurante estava vazio. Após sentarmos, apenas mais um casal chegou. Mas a espera foi bem longa. Inclusive para solicitar mais uma bebida - e, repito, o Salitre é um restaurante de vinhos, onde se espera um atendimento mais próximo para poder ser servido.

Mas a maior emoção é sempre guardada para o final: quando os pratos chegaram, a Carol logo alertou que havia pedido soufflé de legumes e não legumes ao provençal.

A resposta foi bem rápida: " Sra. esse é o soufflé da casa'.

Achando que o atendente havia confundido e servido o meu pedido à ela, mais uma vez alertou. E a resposta foi a mesma, mais enfática: "É assim o soufllé da casa!"

Como eu havia pedido legumes ao provençal, e o meu prato veio correto, provoquei o garçom: "Se o dela é soufflé, o meu é o quê?"

Resposta: "Legumes ao provençal!"

Então tá... Insisti: "Qual é a diferença entre os nossos pratos, por favor?"

O garçom resignado apelou para o 'Santo Padre' das instituições gastronômicas: "Irei verificar com o chef!"

Desaparceu o resto do almoço.

No final, quando terminávamos, ele apareceu com uma tigelinha, que continha alguns legumes boiando em um molho branco, gratinado, pedindo desculpas pelo engano.

4) Síntese

Após essa epopéia concluí que de fato muitos restauranteurs acreditam que são "Intocáveis", orientando e treinando mal os seus funcionários. Tem a certeza de que nenhum cliente irá questioná-los. E, muitos pensam: "alcancei o Olimpo!"

O pior é que, como Gilberto Scofield Jr relata, aqui no Rio nem é necessário a casa alcançar o "Olimpo", que o mau atendimento já vem de brinde.

Relendo as duas matérias citadas acima, cheguei à conclusão que as reportagens não são antagônicas no RJ: a moda atual na gastronomia eleva o ego de restauranteurs/chefs e estes não tem necessidade/vontade de oferecer um melhor treinamento para sua equipe. E os garçons, que sempre tiveram como padrão atender mal, não precisam modificar a sua maneira medieval de servir.

E a verdadeira conclusão que cheguei é que quem está fora do tom somos nós, clientes, que nunca contestamos o mau atendimento que recebemos. Nós, clientes, somos quem está errado.

Ou, devido a paciência que temos que dispor, deveríamos nos auto-intitular como "pacientes"?

Beijos e abraços,

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Salitre Vinhos
Rua Barão da Torre, 632 - Ipanema
Tel.: (21) 2540-5719.

Quem sou eu

Minha foto
Olá, sou carioca e um grande apreciador de um bom prato. Com este intuito, tentarei escrever as minhas impressões sobre os restaurantes em que eu vier a comer - descrevendo qualidades e defeitos de cada um. Caso tenha o interesse de complementar as minhas opiniões, por favor, não deixe de contribuir. Restaurantes bons devem ser vangloriados, enquanto restaurantes ruins devem ser evitados. Não concorda? Então, vamos lá... Mãos ao garfo!